Policiais de SP recebem até R$ 50 mil de integrantes do PCC, aponta investigação
Policiais de SP recebem até R$ 50 mil de integrantes do PCC, aponta investigação

Relatório final de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo indica que criminosos com alto poder de decisão dentro do PCC (Primeiro Comando da Capital) pagam, de forma recorrente, propinas a policiais civis e militares. Um dos chefes da facção criminosa teria desembolsado R$ 50 mil para evitar que fosse preso.
O pagamento é feito também para garantir o funcionamento de pontos de venda de drogas, aponta a investigação que foi base da Operação Echelon, do MP (Ministério Público) paulista. 
Segundo a polícia, o suborno de agentes do estado faz parte da engrenagem que colabora para o funcionamento do tráfico de drogas e armas do grupo criminoso, além de facilitar que as ordens da cúpula do PCC, detida na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, sejam executadas nas ruas pelos chamados “soldados”, os integrantes de baixo escalão.
“A manutenção da organização criminosa, nesse patamar de expansão, somente se sustenta com a cooptação de agentes do estado corruptos”, lê-se no documento.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo afirma que informações do relatório foram compartilhadas com setores de inteligência das corregedorias das polícias Civil e Militar e dos sistemas penitenciários de outros estados.
A descoberta do esquema de corrupção policial aconteceu quando investigadores monitoravam os passos de um dos líderes do PCC, Adriano Hilário dos Santos, 32, conhecido como Kaíque. Ele está atualmente preso em Presidente Venceslau.
Kaíque foi capturado em 10 de maio de 2018, no aeroporto de Guarulhos, quando voltava de Camaçari (BA). Ele estava foragido desde o dia 23 de março de 2017, quando fugiu da penitenciária de Valparaíso.
Enquanto estava solto, o criminoso fora flagrado em escutas telefônicas da Operação Echelon. Os diálogos apontavam que ele seria o principal nome do crime organizado em Mato Grosso do Sul, além de manter uma rede de tráfico de drogas na Baixada Santista (SP).
Uma escuta telefônica do dia 14 de novembro de 2017 aponta que Kaíque pagou R$ 50 mil a policiais civis para não voltar à prisão.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito “mantém contato com policiais que trabalham na região em que ele atua, tendo por algumas vezes mencionado ter sido capturado por estes policiais, sendo que para ser ‘liberado’ foi obrigado a pagar altas quantias em dinheiro”.
Kaíque chegou a ser sequestrado duas vezes. Na primeira, a suspeita é de que ele tenha sido mantido em cárcere privado por policiais militares de elite. Na segunda vez, policiais civis extorquiram dinheiro dele, aponta o inquérito.
“Como toda organização criminosa, o PCC também tem forte participação na cooptação e corrupção de agentes públicos, atividades típicas de máfias. Isso já ficou bem demonstrado com a Operação Ethos, do ano passado, com a condenação do vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) por corrupção e participação em organização criminosa”, afirmou o promotor Lincoln Gakyia, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). (Com UOL) 

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