COISAS DA VIDA ... A PARTEIRA OU APARADEIRA
COISAS DA VIDA ... A PARTEIRA OU APARADEIRA

Ao descrever a vida de uma pessoa, digna de reconhecimento pelos seus feitos num passado distante, o faço consciente de que estou reverenciando a alguém do seu tempo, sujeita às condições sociais, políticas e econômicas temporariamente reinantes. Não cabe, pois, compará-la com o componente humano que trata do mesmo problema, nos dias de hoje. Quase tudo mudou no mundo, mormente nesta era da informação, com uma disparada sem igual no campo tecnológico. Assim, embora ainda existam, por este país afora, mulheres que se empregam na sagrada missão de administrar o parto, por aqui as parteiras são “heroínas de antigamente”. Hoje, todas as crianças nascem em maternidades, assistidas por agentes de saúde, com destaque para o médico obstetra, a enfermeira e, posteriormente, para o médico pediatra que as acompanha até certa idade.   
Neste artigo, sempre com base nas pesquisas que fiz, trarei alguns aspectos da grandiosidade humana –mostrando o dom divino de uma mulher - que cumprindo à missão que Deus lhe reservou, administrou o parto, dando vida a uma imensidão de seres humanos, nesta abençoada terra venceslauense. Não tinha nenhuma formação acadêmica, mas era dedicada, amorosa, calma e, também, consciente da necessidade da prudência.
No ano de 1928, chegou, ao nosso município, uma mulher baixinha, de passos rápidos, que irradiava alegria, num sorriso sempre aberto. Ela veio de Portugal, onde aprendeu as técnicas indispensáveis ao trabalho de parteira, as quais alinhava desprendimento, carinho e amor. Pobre ou rico o lar, sem distinção nenhuma, lá estava ela, como mensageira da luz, a povoar nossa terra com mais uma criancinha, sem qualquer remuneração.  Ia a pé, a cavalo ou de charrete, por todos os recantos de Presidente Venceslau, urbanos ou rurais. Às vezes dormia na casa da parturiente, a quem sua simples presença transmitia muita paz e confiança durante os procedimentos do parto. Por todas essas virtudes evoco, hoje, a bondade de Dona TEREZA DE JESUS, a mulher que, por mais de meio século, prestou esse generoso e humanitário serviço à comunidade venceslauense. (Foto ao lado).
Centrei-me na figura de Tereza de Jesus, a que mais tempo esteve no desempenho dessa atividade, contudo, uma legião de mulheres serviu à comunidade como parteira, ao passar dos anos.
Um histórico sobre a colônia alemã, do Bairro Aimoré, escrito por Hidegard Hafner, registra o seguinte trecho: “A partir de 1924, Dona Elza também fez um bom trabalho como parteira. A cavalo, ela ia atender aos chamados, dia e noite, e ajudou a trazer à luz muitas crianças”. Dona Elza era a esposa de Paulo Thurm, professor de alemão na colônia.
Na busca de dados, encontrei citações sobre Dona Ramona Rios Torres, entre elas um artigo de emocionante homenagem póstuma escrito pelo emérito jornalista Clóvis Moré.  De nacionalidade argentina, ela veio mais tarde para estes sertões, em 1939 e, desde então, se entregou, de corpo e alma, a ajudar nos trabalhos de parto. Encontrei, também, anotações sobre Rosalba Moretti, Carolina Chinelli e Luzia Araki, que, igualmente, ao longo do tempo, atuaram como parteiras aqui em Presidente Venceslau, onde, ainda, muitas outras criaturas ficaram famosas, destacando-se nessa inata generosidade.
(*) Inocêncio Erbella é membro da Academia Venceslauense de Letras

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