# Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

> O fóssil de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos, encontrado em Alto Garças (MT), foi apresentado por pesquisadores da Uerj como nova espécie. O espécime excepcionalmente preservado revela detalhes da vida antes da maior extinção em massa da Terra. A descoberta contribui para o entendimento da biodiversidade do período Permiano.

*Tribuna Livre · Cidade · 27 de agosto de 2026 · Marisa Quental*

Pesquisadores da Uerj apresentam nova espécie de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos, encontrada em Alto Garças (MT). O fóssil, excepcionalmente preservado, revela detalhes da vida antes da maior extinção em massa da Terra.

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, foi apresentada em estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece rara oportunidade de conhecer a vida no continente sul-americano antes de uma das maiores transformações da história da Terra.

O animal pertencia ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atuais, como atum, salmão e bacalhau. Com aproximadamente 15 centímetros, o peixe tinha o corpo protegido por escamas resistentes de dentina e esmalte, os mesmos materiais dos dentes humanos.

Enquanto a maioria dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida por dentes, escamas ou fragmentos ósseos, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, além de um achado raro em escala mundial.

O peixe viveu no Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando América do Sul e África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

O fóssil ajuda a reconstruir um ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é pouco conhecido.

A pesquisadora do Departamento de Zoologia da Uerj, Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que "por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas".

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

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Fonte (canonical): https://www.tribunalivrepv.com.br/cidade/estudo-mostra-fossil-peixe-pre-historico-encontrado-mato-grosso/
