CapaCidade
Cidade

Maranhão prepara diagnóstico para mapear potencial da Economia do Mar

ResumoMaranhão iniciou a elaboração de diagnóstico inédito para mapear o potencial da Economia do Mar. O estado possui o segundo maior litoral do Brasil. Uma missão técnica visitou três estados para estudar modelos de governança, indicadores e políticas públicas aplicáveis ao setor.

Com o segundo maior litoral do Brasil, Maranhão inicia elaboração de diagnóstico inédito da Economia do Mar. Missão técnica visitou três estados para aprender modelos de governança, indicadores e políticas públicas.

Antônio Vilar
Antônio Vilar Repórter de economia local · 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Maranhão prepara diagnóstico para mapear potencial da Economia do Mar

Maranhão prepara diagnóstico para mapear potencial da Economia do Mar

O Maranhão deu o primeiro passo para medir o peso do mar na sua economia. Representantes do setor produtivo e do governo percorreram três estados brasileiros entre 6 e 10 de julho em busca de experiências que orientem a elaboração do primeiro Diagnóstico da Economia do Mar maranhense.

A missão técnica visitou Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. Organizada pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), em parceria com o Sebrae e o governo estadual, a comitiva passou por órgãos públicos, centros de pesquisa e entidades industriais que já trabalham com indicadores e políticas voltados às atividades marítimas.

O que o diagnóstico vai medir

O futuro estudo deverá dimensionar a participação econômica de setores como transporte marítimo, operações portuárias, pesca, construção naval, turismo, energia offshore, monitoramento ambiental e inovação tecnológica. Também poderá identificar necessidades de formação profissional e oportunidades para novos investimentos.

A iniciativa partiu do Grupo Pensar o Maranhão, coordenado pela Fiema. A missão foi liderada pelo vice-presidente executivo da Fiema e coordenador do grupo, Luiz Fernando Renner.

Participaram ainda o secretário-chefe da Secretaria Geral da Governadoria, Luis Fernando Silva; o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (Sedepe), José Domingues Neto; e o secretário adjunto da Secretaria de Indústria e Comércio (Seinc), Marco Antônio Moura da Silva. A comitiva contou também com o vice-presidente do Sebrae Maranhão, Cristiano Fernandes; o empresário e ex-presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago; e o titular da Coordenadoria de Ações Estratégicas da Fiema, o economista Geraldo Carvalho.

O modelo do Rio de Janeiro

A primeira etapa ocorreu no Rio de Janeiro, onde a delegação conheceu a estrutura da Secretaria de Energia e Economia do Mar (Seenemar). Os encontros abordaram o modelo fluminense de governança da economia azul, que reúne atividades ligadas aos oceanos com critérios de sustentabilidade.

A comitiva conheceu o funcionamento da Comissão Estadual de Desenvolvimento da Economia do Mar (Cedemar), a articulação com a Marinha e as políticas de formação profissional em parceria com o Senai-RJ. Também foram apresentados mecanismos para aproximar governo, indústria e instituições de ensino técnico, além de medidas para atrair investimentos.

Na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), os representantes conheceram projetos das indústrias naval, pesqueira e energética. A agenda tratou ainda do descomissionamento, processo de desativação de instalações offshore. A experiência fluminense deverá servir de referência para um modelo de cooperação semelhante no Maranhão.

O aprendizado na Bahia

Em Salvador, a missão visitou a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Técnicos explicaram como o estado calcula a contribuição das atividades marítimas para o PIB. A reunião tratou dos critérios para identificar empresas ligadas ao mar e dos procedimentos de coleta e processamento dos dados. A metodologia é considerada pela Fiema uma das principais referências para o diagnóstico maranhense.

A comitiva também visitou a Fundação Aleixo Belov, que desenvolve estudos sobre a Economia do Mar da Bahia. A instituição apresentou experiências na organização de indicadores e no mapeamento das cadeias produtivas costeiras. A fundação deverá participar da elaboração do estudo maranhense, adaptando o modelo baiano às características do litoral do Maranhão.

Na fundação, a comitiva foi recebida pelo engenheiro e navegador Aleixo Belov, que realizou sozinho três viagens de volta ao mundo em uma embarcação construída no quintal de casa. Ele também fundou empresas ligadas à engenharia naval. Uma delas participa da construção do Berço 98, projeto de ampliação do Porto do Itaqui, em São Luís.

Outra parada foi o Senai Cimatec, onde os representantes conheceram o projeto Cimatec Mar. O centro desenvolve pesquisas em robótica marinha, geração de energia offshore, monitoramento ambiental e defesa. Durante a visita, o Senai Cimatec manifestou interesse em colaborar com o diagnóstico do Maranhão.

A referência do Ceará

A última etapa ocorreu no Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em Fortaleza. A equipe cearense apresentou o Atlas Marinho e Costeiro do Ceará, desenvolvido com apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O documento reúne informações territoriais, ambientais e econômicas usadas para orientar decisões empresariais e políticas públicas. A Fiema avalia utilizar a experiência como referência para um atlas marinho e costeiro do Maranhão.

O que vem depois

Com o segundo maior litoral do Brasil e infraestrutura portuária estratégica, o Maranhão reúne condições para expandir atividades ligadas ao mar. O Porto do Itaqui, os terminais privados na Baía de São Marcos e a ligação ferroviária colocam o estado em posição relevante no transporte de cargas.

O diagnóstico deverá avaliar também o potencial da pesca, do turismo costeiro, da construção naval, das energias renováveis, da pesquisa oceanográfica e das tecnologias de monitoramento ambiental. As informações coletadas serão usadas para definir a metodologia do levantamento e estabelecer prioridades.

Depois de concluído, o estudo será apresentado ao governo estadual como base para políticas públicas, programas de qualificação e estratégias de atração de investimentos. Segundo Luiz Fernando Renner, a missão permitiu avançar na construção de uma agenda conjunta entre instituições públicas, empresas e especialistas interessados no desenvolvimento sustentável e na competitividade industrial do Maranhão.

Perguntas Frequentes

O que é o Diagnóstico da Economia do Mar do Maranhão?

É um estudo inédito que vai dimensionar a participação econômica de setores como transporte marítimo, portos, pesca, turismo e energia offshore, além de identificar oportunidades de investimento e necessidades de formação profissional.

Quem organizou a missão técnica?

A iniciativa foi organizada pela Fiema, em parceria com o Sebrae e o governo estadual, partindo do Grupo Pensar o Maranhão.

Quais estados foram visitados?

A comitiva percorreu Rio de Janeiro, Bahia e Ceará entre os dias 6 e 10 de julho.

O que o Maranhão aprendeu no Rio de Janeiro?

Conheceu o modelo de governança da economia azul fluminense, incluindo a Cedemar, a articulação com a Marinha e políticas de formação profissional com o Senai-RJ.

Qual a importância do Porto do Itaqui?

O Porto do Itaqui, junto com terminais privados e ligação ferroviária, coloca o Maranhão em posição estratégica no transporte de cargas, sendo um dos eixos do diagnóstico.

Quando o diagnóstico ficará pronto?

A fonte não informa prazo. Após concluído, o estudo será apresentado ao governo estadual para formulação de políticas públicas.

// Leia também

Publicidade