# 12ª Marcha das Mulheres Negras no Rio: luta contra o racismo e reparação histórica

> A 12ª Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro ocorre em 26 de julho, em Copacabana, com o tema "Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver". O ato reúne mulheres de dezenas de municípios fluminenses e integra o Julho das Pretas, visando combater o racismo e promover reparação histórica.

*Tribuna Livre · Eventos · 20 de julho de 2026 · Fábio Drummond*

A 12ª Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro ocorre em 26 de julho, em Copacabana, com o tema "Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver". O ato reúne mulheres de dezenas de municípios fluminenses e integra o Julho das Pretas.

## Luta contra o racismo marca a 12ª Marcha das Mulheres Negras no Rio

A orla de Copacabana volta a ser palco de um dos maiores atos políticos do movimento negro no estado. A 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro ocorre no próximo 26 de julho, com concentração a partir das 10h, no posto 2. Com o tema "Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver", a mobilização integra a programação do Julho das Pretas e reúne mulheres negras de diferentes municípios fluminenses.

## Uma história de articulação que começou em 2011

Embora esteja em sua 12ª edição, a história da Marcha das Mulheres Negras começou a ser construída ainda em 2011. Organizações de mulheres negras de todo o país lançaram a proposta de realizar uma grande marcha nacional. Depois de quatro anos de articulação, a iniciativa ganhou as ruas de Brasília, em 2015, reunindo cerca de 100 mil mulheres.

No mesmo ano, o Rio de Janeiro realizou sua primeira marcha estadual, que passou a acontecer anualmente como parte da mobilização permanente do Fórum Estadual de Mulheres Negras. Desde então, o movimento não parou de crescer. Mesmo durante a pandemia de covid-19, quando duas edições ocorreram de forma virtual, a articulação foi mantida.

"Estamos na 12ª marcha. Tivemos duas edições online por causa da pandemia, mas estamos há dez anos ocupando as ruas desde 2015. A marcha nunca deixou de existir porque o racismo também nunca deixou de existir", afirma a coordenadora da 12ª Marcha das Mulheres Negras-RJ, Clatia Vieira.

## A construção coletiva: oficina de pirulitos e churrasco colaborativo

Antes da caminhada, a organização promove, no próximo domingo (19), a tradicional Oficina de Pirulitos, no Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), no Centro do Rio. O encontro é dedicado à confecção dos cartazes que serão levados durante a marcha, mas também funciona como um espaço de formação política, integração e fortalecimento das participantes. A programação inclui ainda um churrasco colaborativo, construído de forma coletiva pelas próprias mulheres.

Segundo Clatia Vieira, a oficina simboliza a forma como todo o movimento é organizado. "A construção dos pirulitos também é um ato político. É nesse momento que as mulheres se encontram, debatem as pautas da marcha e fortalecem essa rede de solidariedade."

## Dezenas de municípios mobilizados para a caminhada

Segundo Rose Cipriano, integrante da coordenação, mulheres de dezenas de municípios organizam caravanas para participar da caminhada. "Nós estamos mobilizando mulheres de São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói, Baixada Fluminense e de diversas regiões do estado. A expectativa é reunir entre 10 e 15 mil mulheres em Copacabana."

Mais do que participar de um ato público, a proposta é que essas mulheres retornem aos seus municípios fortalecidas para criar fóruns locais, ampliar o diálogo sobre racismo e pressionar o poder público por políticas voltadas à população negra.

## Copacabana como território de disputa e denúncia

A escolha de Copacabana para sediar a marcha também carrega um significado político. Rose Cipriano explica que o bairro representa um espaço historicamente marcado por desigualdades raciais e sociais. "Muitas mulheres negras trabalham em Copacabana como empregadas domésticas e assistem à marcha das janelas dos prédios onde trabalham. Marchar ali é disputar esse território e mostrar que ele também pertence à população negra."

Clatia Vieira reforça que ocupar a Zona Sul é uma forma de denunciar o racismo estrutural presente na organização da cidade: "É nessa Copacabana opressora que a gente precisa dizer o que acontece com as mulheres negras. É um território de disputa e de denúncia."

## Pautas que vão além da marcha

A Marcha das Mulheres Negras tornou-se um dos principais espaços de articulação política do movimento negro feminino no estado. Para Clatia Vieira, a mobilização nasceu para enfrentar o racismo estrutural e denunciar as desigualdades vividas diariamente pelas mulheres negras.

"A Marcha é, antes de tudo, um ato político de denúncia ao racismo. A gente denuncia como as mulheres negras vivem, como são submetidas às desigualdades e como o racismo estrutural coloca essas mulheres em situação de ausência de políticas públicas."

Ela destaca que a marcha também se diferencia por ser construída horizontalmente. "A Marcha das Mulheres Negras não tem dona. Ela é pensada por mulheres negras, para mulheres negras e com mulheres negras. Todas têm direito à fala."

## Cultura e ancestralidade como resistência

Embora seja um ato político, a marcha também incorpora manifestações culturais que fazem parte da história da população negra. Durante a concentração e ao longo do percurso, haverá apresentações de jongo - também chamado de caxambu -, samba, feira de artesãs, atividades para crianças e manifestações ligadas às religiões de matriz africana.

Segundo Clatia Vieira, esses elementos representam a ancestralidade que sustenta o movimento. "Ato de gente preta é ato de aquilombamento. Tem jongo, tem samba, tem ancestralidade, tem cultura. A nossa história vem da África e essa memória faz parte da nossa resistência."

A coordenadora também chama atenção para a importância da imprensa na divulgação das pautas do movimento. Para ela, ampliar a visibilidade da marcha significa enfrentar a invisibilidade histórica das mulheres negras.

"É muito importante contar com os meios de comunicação. A gente liga a televisão e quase nunca vê as nossas histórias ou as nossas pautas. A marcha não é apenas um encontro. Ela denuncia o racismo, fortalece a organização das mulheres negras e mostra que seguimos lutando por respeito, igualdade e pelo direito de viver com dignidade."

## Perguntas Frequentes

### Quando e onde ocorre a 12ª Marcha das Mulheres Negras no Rio?

A marcha acontece no dia 26 de julho, com concentração a partir das 10h, no posto 2, em Copacabana.

### Qual o tema da marcha deste ano?

O tema é "Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver".

### Quantas mulheres são esperadas?

A expectativa da organização é reunir entre 10 e 15 mil mulheres.

### Quem organiza a marcha?

A marcha é organizada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras, com coordenação de Clatia Vieira e Rose Cipriano.

### Haverá atividades culturais durante a marcha?

Sim, estão previstas apresentações de jongo, samba, feira de artesãs e atividades para crianças.

### Como surgiu a Marcha das Mulheres Negras?

A proposta foi lançada em 2011 por organizações de mulheres negras de todo o país, resultando na primeira marcha nacional em Brasília, em 2015.

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Fonte (canonical): https://www.tribunalivrepv.com.br/eventos/luta-contra-racismo-marca-12-marcha-mulheres-negras-rio/
