Estados acusam Mandetta de flexibilizar isolamento e temem ações futuras
Estados acusam Mandetta de flexibilizar isolamento e temem ações futuras

 

Discurso do ministro da Saúde, que abriu uma brecha a respeito da orientação do isolamento total para combater o coronavírus, está alinhado com o novo tom do presidente Jair Bolsonaro.
Em uma reunião tensa com secretários de saúde dos estados, nesta quinta-feira (26), o ministro Luiz Henrique Mandetta voltou a flexibilizar o discurso e abriu uma brecha a respeito da orientação do isolamento total para combater o coronavírus, que causa a doença Covid-19. A avaliação foi feita ao blog de Andreia Sadi, no portal G1, por secretários de saúde nesta sexta-feira (27), que afirmam que o ministro adotou a linha de que, em muitos lugares, houve um confinamento “precoce”.
O discurso de Mandetta aos secretários de Saúde durante a reunião — feita por videoconferência — está alinhado com o novo tom do presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira (24), Bolsonaro fez um pronunciamento defendendo o isolamento vertical, contrariando as autoridades de saúde — como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o próprio Ministério da Saúde. Havia uma expectativa a respeito da posição de Mandetta, que só se pronunciou no dia seguinte.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da saúde, pela primeira vez, flexibilizou o discurso: disse que havia exageros de alguns estados ao adotarem o isolamento total — alinhado com a posição do chefe. Segundo os secretários ouvidos pelo blog, a reunião foi praticamente um monólogo do ministro, pois havia controle do microfone pelo ministério, e houve pouco espaço para contra-argumentação.
A assessores, Mandetta tem avaliado que será preciso “endurecer” lá na frente uma vez que “não estamos perto” do pico da crise — e isso pode “exaurir” a população. Por isso, segundo seus assessores, ele diz que houve precipitação inicial.
Secretários de saúde discordam — e se preocupam com as medidas futuras da pasta. Eles temem que o ministério abandone o perfil técnico para se moldar politicamente aos pedidos do presidente para que haja uma volta das pessoas às ruas.
Na mesma reunião, secretários cobraram a entrega de leitos e respiradores, e ouviram que os itens ainda não haviam sido entregues porque havia “endereços errados”. Os secretários se indignaram. Ao blog, contaram que os pedidos haviam sido feito meses antes da crise do coronavírus.
Procurado pelo blog, o ministério da Saúde afirmou que “sempre defendeu e continua defendendo o isolamento”. Mas disse que “o que está acontecendo em muitos casos, como governos mais restritivos, é falta de homogeneidade nas decisões”.
“Para os estados, o ministério esta à disposição para fazer medidas conjuntas”, disse o ministério ao blog. (Com blog de Andreia Sadi) 

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