Contas do governo têm pior maio da história e rombo atinge R$ 126,6 bi
Contas do governo têm pior maio da história e rombo atinge R$ 126,6 bi

 

Em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, as contas do governo federal registraram, em maio, um déficit recorde de R$ 126,6 bilhões. O valor inclui os resultados do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central (BC). Em maio do ano passado, o rombo atingiu quase dez vezes menor, de R$ 14,7 bilhões.
O resultado é explicado pela queda significativa na arrecadação, combinada com o forte aumento nas despesas devido ao combate à Covid-19. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Foi o pior resultado mensal da série histórica da instituição, iniciada em 1997. Até então, o maior rombo nas contas públicas tinha sido o registrado em dezembro de 2015, de R$ 72,7 bilhões (em valores corrigidos pela inflação).
O conceito de déficit primário quer dizer que as despesas superaram as receitas, mas não inclui os gastos com juros da dívida pública.
Em maio, o rombo fiscal superou o déficit registrado em todo o ano passado: R$ 95 bilhões.
Segundo a área econômica, o déficit de maio foi influenciado pela queda real (acima da inflação) de 41,6% na receita do governo federal e pelo crescimento real de 68% na despesa. O recuo na arrecadação deve-se, principalmente, ao adiamento no pagamento de impostos por parte de pessoas físicas e empresas.
A alta nas despesas é explicada pelas medidas de combate ao novo coronavírus, bem como pela antecipação do pagamento do 13º de aposentados e pensionistas.
De acordo com o Tesouro Nacional, a pandemia aumentou os gastos públicos em R$ 53,4 bilhões apenas no mês passado, com destaque para o auxílio emergencial (que somou R$ 41,1 bilhões) e para o Benefício Especial de Manutenção do Emprego e Renda (que custou R$ 6,5 bilhões).
No acumulado de janeiro a maio deste ano, ainda segundo informações do Ministério da Economia, o rombo nas contas do governo somou R$ 222,5 bilhões, em comparação ao rombo de R$ 17,5 bilhões no mesmo período do ano passado.
Rombo fiscal acima 
de R$ 700 bilhões
A Secretaria do Tesouro Nacional estima que o rombo nas contas do setor público consolidado (governo, estados, municípios e empresas estatais) deverá somar R$ 708,7 bilhões em 2020, ou 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Se confirmado, esse será o maior valor da série histórica do BC, iniciada em 2001.
Auxílio emergencial
Durante coletiva de imprensa nesta segunda, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que a prorrogação do Auxílio Emergencial vai significar uma despesa extra de R$ 100 bilhões, o que deve levar o déficit primário para cerca R$ 850 bilhões (11,5% do PIB).
Segundo o secretário, o governo ainda está discutindo a forma de pagamento dessa prorrogação. Os dois cenários estudados preveem um valor de R$ 1.200, que pode ser pago em duas parcelas de R$ 600 ou em parcelas retroativas de R$ 500, R$ 400 e R$ 300, como proposta na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro. (Com G1)

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