Pesquisa traz dados da Covid-19 nas unidades prisionais paulistas
Pesquisa traz dados da Covid-19 nas unidades prisionais paulistas

Um estudo desenvolvido por pesquisadores das regiões de Araçatuba e Presidente Prudente traz dados científicos sobre a Covid-19 nas penitenciárias durante os primeiros meses de proliferação da doença. No total foram avaliadas 28 unidades prisionais, sendo 15 delas da região oeste do Estado. Recentemente, o material foi apresentado em uma conferência internacional sobre doenças infecciosas, com foco no coronavírus.
A pesquisa, intitulada “O coronavírus ultrapassou os muros do sistema prisional de São Paulo”, teve a participação da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), por meio da Famepp (Faculdade de Medicina de Presidente Prudente), FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), Instituto Adolfo Lutz, Departamento Regional de Saúde de Araçatuba e Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
De acordo com o infectologista Luiz Euribel Prestes Carneiro, coordenador da pesquisa, além do panorama da doença nas penitenciárias, o estudo epidemiológico permite o planejamento de ações futuras para combate à pandemia. Conforme o pesquisador, um novo levantamento, que incluirá Marília, foi encerrado no dia 30 de agosto.
“Teremos números maiores e conseguiremos ver a evolução não apenas dentro das unidades, como também em trabalhadores”, explica o médico.
Covid em números
Dados divulgados pela pesquisa, obtidos junto à Secretaria de Estado da Saúde, mostram que de março a junho, na região oeste, de 17.999 privados de liberdade, 25 foram infectados (0,14% do total), sendo duas mortes (8% de letalidade). O número não foi muito distante da região noroeste, que possui 19.195 presos. Destes, 26 foram infectados (0,13%) e três morreram (11,5%).
Já em relação aos servidores da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), dos 3.653 da região de Prudente, foram 54 casos confirmados de Covid (1,48%), sendo três mortes (8%). Na região de Araçatuba há 2.517 servidores, dos quais 20 ficaram doentes (0,79%) e um morreu (5%).
Uma reportagem publicada pelo jornal “O Imparcial”, com base nos dados da Administração Penitenciária, mostrou que existem mais servidores infectados que os privados de liberdade. De acordo com o infectologista, a hipótese pode estar relacionada com as visitas de familiares que vieram de cidades onde a doença já estava avançada no começo da pandemia.
“Naquela época não havia infectados em cidades pequenas que possuem presídios”, afirma. “Os assintomáticos trouxeram a infecção não só para dentro dos presídios, mas principalmente aos trabalhadores que eram os primeiros a recepcioná-los”.
“O controle começou a partir do momento em que as visitas foram proibidas”, afirma Luiz. Com os novos dados que já foram coletados, a pesquisa promete um avanço nas análises, que devem ser divulgadas nas próximas semanas. 
(Com O Imparcial)
 



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