QUE HISTÓRIA É ESSA? Meu vizinho da frente - parte 4
QUE HISTÓRIA É ESSA?  Meu vizinho da frente - parte 4

O som do Seu Vanalli está sempre ligado com músicas de muito bom gosto, o que tornou a transcrição de sua entrevista muito mais agradável.
Pergunto de onde veio o dom musical da família e ele responde na hora:
- Isso veio da minha bisavó e avó, que vieram da Itália. As velhinhas cantavam demais. Já minha mãe não gostava de música, gostava era de dançar, era bailarina.
Adorava carnaval! E ela ia, porque a moçada vinha buscá-la em casa. E não dançava com véio, não, pulava só com os mocinhos e todo ano ganhava o troféu de melhor foliã.
No embalo do carnaval, seu Vanalli se lembra de quando Tonico arrancava algumas varetas do berço do neto, Pedrinho, e ficava batucando. A família toda reclamava:
- Para com isso, Tonico! Deixa seu filho dormir, pelo amor de Deus, toca amanhã durante o dia.
E o Tonico respondia: 
- Mãe, eu vou parar, mas eu vou conhecer vários países do mundo sem gastar um tostão, só com a música. A música é que vai me levar. E levou mesmo.
Seu Vanalli também dá um longo passeio pelo mundo ao se lembrar de outra história e me surpreende com uma pergunta:
- Você sabia que o Mengele esteve por aqui? – Tomo um susto e respondo que não. 
Minha mãe estava doente e meu pai comentou com um cara da prefeitura: “minha esposa não está bem e o único médico da cidade não está resolvendo o problema”. Então, o alemão pediu para que meu pai arrumasse 10 metros de fio de cobre desencapado. Sem entender muita coisa, ele arrumou os fios e o alemão foi lá ver a Dona Maria, que não estava conseguindo nem se levantar da cama. 
O homem amarrou os braços dela com os fios de cobre e disse:
- Fica sossegado, seu Luiz, dona Maria vai ficar boa já, já. Fez lá a reza dele (imaginem a reza do Mengele!), avisou que ia à prefeitura e que voltava logo, mas que era para não desamarrar os fios. Depois de uma hora, retornou:
-Ô, seu Luiz, como é que tá a dona Maria?
- Meu pai, ainda meio desconfiado, disse que achava que estava bem.
Então, Mengele falou:
- A senhora pode levantar e se sentar. E a véia sentou. Daquele dia em diante ela não teve mais nada. Sei lá o que ele fez. Morava na rua do cemitério.
Cruz credo! A única coisa que o Mengele deve ter feito de bom na vida foi curar a Dona Maria!

(*) A autora ficou com medo desse bando de nazistas e se mandou, mas volta em breve para contar histórias de alemães que conseguiram escapar de Auschwitz.



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