QUE HISTÓRIA É ESSA? À prova de erros
QUE HISTÓRIA É ESSA? À prova de erros

Uma das características mais louváveis do ser humano é ter consciência de sua existência. Ao entendermos que estar vivo é uma condição passageira, é esperado que busquemos dar mais sentido ao que fazemos e tentemos evoluir.
Se tudo está em constante mudança, por que não mudarmos de opinião, admitirmos nossas falhas e nos transformarmos também? Esta semana, em mais uma de suas declarações infelizes, Bolsonaro disse que não erra há um ano. Ainda que não levemos em consideração que essas palavras tenham vindo do chefe de uma nação que se vê mergulhada em uma pandemia sem controle, com recordes de mortes diários, a afirmação é pretensiosa e absurda.
Qualquer pessoa com o mínimo de consciência de si sabe que cometer erros é algo comum e até mesmo necessário. São eles que nos dão a chance de compreender onde estamos falhando e nos fornecem a possibilidade tão gratificante de melhorar.
Erramos todos os dias, mesmo que seja em atitudes bobas: falamos algo que não devemos, não damos a atenção que o outro merecia, procrastinamos, pensamos mal de uma pessoa, sentimos inveja, ciúmes, raiva, preguiça.
Cada erro que cometemos tem o potencial de influenciar a vida de outras pessoas, portanto, se considerarmos a responsabilidade das decisões tomadas por um presidente da república, nem precisamos dizer que o impacto é muito maior.
Se espalharmos uma fofoca ou uma mentira, provavelmente seremos desmascarados, passaremos vergonha e poderemos prejudicar a imagem de alguém que nem conhecemos. Se mentirmos, correremos o risco de perder a confiança das pessoas e de sermos ridicularizados. Se não nos importarmos com os outros, provavelmente acabaremos sem amigos.
Mas, quando o líder de uma nação mente, espalha boatos e não se importa com o outro, o resultado é catastrófico.
Há um ano - quando Bolsonaro afirma ter errado pela última vez - a pandemia de COVID-19 instalava-se em nosso país. Na contramão da maioria dos chefes de estado do mundo, nosso representante minimizou a doença, negou a gravidade da crise, promoveu aglomerações e se colocou contra o uso de máscaras.
Após ele mesmo contrair a doença e ver o número de mortos no mundo aumentar exponencialmente, teve a chance de rever suas atitudes e corrigir sua rota. Se não pelo bem da nação, pelo menos pelo bem de sua imagem e de sua campanha para a reeleição. No entanto, a única atitude tomada foi a liberação do auxílio emergencial, que durou pouco.
Quando o mundo, incluindo o Brasil, iniciou uma corrida pela descoberta de uma vacina e conseguiu os primeiros resultados, Bolsonaro teve uma nova oportunidade de reconciliação com os brasileiros. No entanto, preferiu persistir no erro: comprou briga com os governos, despertou a insegurança da população quanto à eficácia da vacina e tratou a ciência e a saúde pública como uma questão ideológica.
Como resultado, tivemos um grande atraso no planejamento e na compra de vacinas e outros suprimentos, enquanto assistíamos os doentes ficarem sem oxigênio nos hospitais de Manaus. 
Não é possível que um ser humano não se sensibilize com pessoas morrendo sufocadas. Ou que não tema que novas cepas, mais contagiosas e agressivas do vírus, não leve embora algum amigo ou parente. Será que agora, finalmente, ele admitirá seus erros e tomará a frente no combate a essa doença tão terrível? Tudo indica que não.
Profissionais da saúde estimam que viveremos o mês de março mais fúnebre de nossa história. Enquanto, no mundo, os óbitos estão caindo a uma taxa de 6%, o Brasil está em 11% e com o número crescendo a cada dia.
Ao todo, 8 estados têm mais de 80% das UTIs ocupadas e o sistema de saúde brasileiro está em colapso. Na última semana, alcançamos o recorde de 1.840 mortes em 24h.
Não temos leitos para curar os doentes nem um projeto consistente de vacinação para prevenir uma tragédia ainda maior. A única coisa que nós temos é um presidente que não erra.



Comentário(s)

1