Secretaria conclui estudo sobre variantes do novo coronavírus no Estado de SP
Secretaria conclui estudo sobre variantes do novo coronavírus no Estado de SP

O Instituto Adolfo Lutz da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo concluiu essa semana um estudo que identifica o panorama das variantes do novo coronavírus em todas as regiões do estado.
Foram avaliadas 1.439 sequências genéticas realizadas pelo Lutz e por outras instituições de referência, que identificaram 21 linhagens diferentes em São Paulo com prevalência da P.1 de Manaus em 90% das amostras. O estudo também mostra uma evolução desta variante no decorrer dos três primeiros meses deste ano. Em janeiro ela representava 20% dos sequenciamentos, sendo que em fevereiro correspondia a 40% e em março 80%.
A P.1 está presente nos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS), sendo predominante em 15 regiões, com exceção de São José do Rio Preto e de Presidente Prudente onde a P.2 é mais evidente. A P.1 é considerada pelas autoridades sanitárias uma “variante de atenção” devido à possibilidade de maior transmissibilidade ou gravidade da infecção.
“O aumento dos casos, internações e óbitos que identificamos especialmente no primeiro trimestre deste ano pode estar relacionado à maior circulação desta variante de atenção. Nossas equipes seguem analisando em múltiplas frentes este vírus, contribuindo com a Ciência e com as ações de combate à COVID-19”, explica a coordenadora de Controle de Doenças, Regiane de Paula.
Até outubro do ano passado, a variante B.1.1.28 predominava e chegou a ultrapassar 90% das sequências. Havia também a B.1.1.33 que chegou a alcançar 30% das amostras. Ambas sofreram mutações e deram origem a duas novas variantes, respectivamente: a P.2 e a N.9, que surgiram no último bimestre de 2020. Em novembro, a variante inglesa B.1.1.7 passou a circular no Estado e, a partir de dezembro, a P.1 (derivada da B.1.1.28).
A B.1.1.7 está em 12 regiões do estado, com maior predominância em Campinas e Taubaté – de 12,33% e 21,05%, respectivamente. Não há registros em São João da Boa Vista, Bauru, Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Marília.
“O sequenciamento genético não deve ser confundido com diagnóstico de COVID-19, até porque não se trata de uma análise individualizada do paciente. Ele também não muda as orientações e hábitos de prevenção, nem mesmo a assistência médica, que considera sempre o quadro clínico do paciente. Identificar as novas linhagens de um vírus é um instrumento epidemiológico que contribui para ações de saúde pública ao permitir que identifiquemos como o vírus se comporta no espaço e tempo”, diz Adriano Abbud, diretor do Centro de Respostas Rápidas do Instituto Adolfo Lutz.
Sobre as variantes
Há centenas de variantes do novo coronavírus ao redor do mundo e, atualmente, somente três são consideradas variantes de atenção pelas autoridades sanitárias nacionais e internacionais: P.1, B.1.1.7 e B.1.351. O panorama do Lutz indica que as duas primeiras circulam mais efetivamente em SP.
Existem também as chamadas “variantes de interesse” que também são monitoradas, mas não sugerem alterações significativas no comportamento da pandemia. A saber: B.1.1.28, que sofreu mutação e deu origem à P.2; B.1.1.33 e sua “derivada” N.9. Elas representam menos de 10% dos sequenciamentos feitos no Estado.



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