Além da vacina, OMS pede que Brasil promova reforço de medidas sociais
Além da vacina, OMS pede que Brasil promova reforço de medidas sociais

Às vésperas de contabilizar oficialmente 500 mil mortos pela Covid-19, o Brasil recebeu um alerta da OMS (Organização Mundial da Saúde). Nesta sexta-feira, 18, numa coletiva de imprensa em Genebra, a entidade deixou claro que “a pandemia não terminou”, que vacinas por si só não resolverão e medidas como o uso de máscaras e evitar aglomerações precisam ser reforçadas e implementadas com mais rigor.
O recado vai em sentido inverso do que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem defendido no país nos últimos dias, com sugestão do fim do uso de máscara e proliferando atos que geram aglomerações.
No mundo, a pandemia registra uma queda importante, com uma redução de novos casos, chegando a 14% na semana, a menor taxa de infecção desde fevereiro. Em três meses, o total semanal de contaminados caiu pela metade e as mortes também começam a ser reduzidas de forma importante.
Mas a OMS alerta que dois mundos começam a ser formados. Um deles, com ampla vacinação e depois de meses de medidas de controle, começa a se abrir. Estádios com público, a volta de restaurantes e festas voltam a ser imagens de uma Europa que redescobre certas liberdades de movimento.
Mas um segundo mundo, ainda mergulhado na pandemia, ainda aguarda por vacinas e vê a expansão do número de casos. Essa é a situação do Brasil e da América do Sul.
Mariângela Simão, vice-diretora da OMS, foi clara em sua mensagem de alerta. “É com muita tristeza que a OMS vê o Brasil atingindo esses números de óbito e os números de pessoas afetadas”, disse, lembrando que o mundo já soma 3,8 milhões de vítimas fatais.
“A OMS gostaria de se solidarizar com todas as famílias que perderam pessoas queridas”, disse.
Mas ela insistiu que, apesar dos números elevados, o hemisfério ocidental continua a ser alvo de uma expansão da doença.
“É importante ressaltar que os casos nas Américas, inclusive no Brasil, ainda permanecem em patamares muito altos”, insistiu. Para ela, porém, houve uma certa perda de força no país nas últimas semanas.
A representante da OMS parabenizou o Brasil por sua capacidade de produção local de vacinas que permitiu aplicar já um total de 80 milhões de doses.
Mas ela alertou que “ainda há uma grande necessidade de implementar mais fortemente e reforçar os usos das medidas preventivas de saúde pública”.
Mariângela Simão admite que houve “uma controvérsia” no Brasil nos últimos dias sobre o tema, numa referência à sugestão de Jair Bolsonaro de avaliar o fim do uso de máscara.
Mas ela insiste que o uso “consistente” da proteção continua sendo recomendado pela OMS, quando não é possível manter o distanciamento.
Ela ainda apontar para a necessidade de evitar aglomerações e outras medidas sociais, como limpeza de mãos e etiqueta respiratória. “São medidas que continuam sendo centrais, ao lado da cobertura vacinal que está se fazendo gradativamente”, disse.
“É importante ressaltar que essa pandemia não terminou”, disse. De acordo com a diretora, a crise continua a colocar “pressão sobre a saúde pública por conta da transmissão comunitária muito alta”. “Todos os esforços para a vacina precisam ocorrer em conjunta com o reforço de medidas de saúde pública”, defendeu.
Mike Ryan, diretor de operações da OMS, também alertou para o surgimento de variantes e a pressão sobre serviços públicos. “Temos de andar mais rapidamente do que estamos fazendo, tanto em evitar a transmissão e distribuir os benefícios da vacina”, disse.
A chegada de Marcelo Queiroga ao Ministério da Saúde foi comemorada na OMS como uma oportunidade para que medidas sociais pudessem, finalmente, começar a ser implementadas. Mas o alerta agora é para que tais ações sejam reforçadas.
A OMS ainda aplaudiu o esforço da pasta para “diversificar” o abastecimento de vacinas no país.
Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, deixou claro que a falta de medidas sociais e a desigualdade no acesso às vacinas continuam a dar a possibilidade para que o vírus continue a se expandir.
A meta da OMS é de conseguir vacinar 10% de todos os países mais pobres em setembro, 40% em dezembro e atingir 70% em meados de 2022. Isso, segundo Tedros, será crítico para acabar com a pandemia.
Mas os dados da agência mostram a distância que existe ainda a ser percorrida. Entre os 79 países mais pobres, apenas 3 deles conseguiram vacinar no mesmo ritmo dos países desenvolvidos. (Com UOL)



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