Fraude em cobrança de royalties leva Malafaia a depor na Polícia Federal
Fraude em cobrança de royalties leva Malafaia a depor na Polícia Federal

O pastor Silas Malafaia é alvo de mandado de condução coercitiva no âmbito da Operação Timóteo, deflagrada ontem de manhã pela Polícia Federal. O diretor do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), Marco Antonio Valadares Moreira, e a mulher dele foram presos pela PF. Alberto Lima Silva Jatene, filho do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), é alvo de mandado de prisão temporária.

A operação apura um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral. Apenas em 2015, os valores recolhidos com os royalties de mineração, a chamada CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), chegaram a quase R$ 1,6 bilhão, de acordo com a PF. A Justiça determinou bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar 70 milhões de reais.

Segundo a PF, Malafaia teria “emprestado” contas correntes da igreja para ocultar valores desviados em um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral.

Outro lado

Em posts no Twitter, o religioso afirmou ter recebido uma “oferta de cem mil reais de um membro da igreja” de um outro pastor, que seria seu amigo. “Não sei o não conheço o que ele faz”, completou Malafaia. O cheque teria sido depositado pelo próprio beneficiário em sua conta corrente. “Por causa disso sou ladrão? Sou corrupto? Recebo ofertas de inúmeras pessoas.” Malafaia afirmou que está em São Paulo e se apresentaria à PF na cidade.

O pastor também divulgou um áudio via WhatsApp no qual se declara inocente e critica o mandado de condução coercitiva. 

Em nota, o DNPM disse que prestou toda a assistência necessária para o cumprimento do mandado de busca e apreensão na Diretoria de Procedimentos Arrecadatórios do órgão, em Brasília.

O DNPM diz que não teve acesso a dados e informações sobre investigações em curso e que está tomando conhecimento do teor das investigações para, se necessário, adotar as providências administrativas cabíveis.

O Ministério de Minas e Energia informou que pedirá a exoneração do diretor do DNPM, Marco Antônio Valadares Moreira.

Já o filho do governador do Pará informou, por meio de seu advogado, que se entregaria ontem, segundo a PF. Alvo de mandado de prisão temporária, Alberto Jatene deve ficar detido por quatro dias. 

O esquema

A PF informou que o diretor do DNPM, em posse de informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties, oferecia os serviços de dois escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria a municípios com créditos de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) junto a empresas de exploração mineral.

O esquema se dividira em ao menos quatro grandes núcleos: o núcleo captador, formado pelo diretor do DNPM e sua mulher, procurava os prefeitos interessados; o núcleo operacional, composto por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria em nome da mulher do diretor, que repassava valores indevidos a agentes públicos; o núcleo político, formado por políticos e servidores responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia; e o núcleo colaborador, que se responsabilizava por auxiliar na ocultação e dissimulação do dinheiro --sobre o qual Malafaia teria informações a prestar.

A Operação Timóteo começou ainda em 2015, quando a então Controladoria-Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM. (Com G1)

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