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2023 derrubou recordes climáticos em escala global

Com G1

Ano passado quebrou vários recordes do clima — Foto: Bianca Canada da Silva/Ato Press/Estadão Conteúdo


O ano de 2023 foi marcado por uma verdadeira derrubada de recordes climáticos em escala global, que desencadearam impactos socioeconômicos massivos em todas as regiões do mundo, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, conclui um novo estudo da Organização Mundial Meteorológica (OMM) publicado nesta terça-feira (19).


Segundo o relatório "O estado do clima em 2023", nunca antes o mundo viveu uma situação com tantos extremos e recordes:


  • nos níveis de gases de efeito estufa da Terra

  • nas temperaturas superficiais do nosso planeta

  • de acidificação e calor dos oceanos

  • no nível do mar

  • e da cobertura de gelo na Antártida e no Ártico


Gases do efeito estufa

O aquecimento global é causado pelos gases de efeito estufa que retêm o calor do nosso Sol na atmosfera. Esses gases, como o CO2 (gás carbônico), são liberados quando queimamos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo.


A quantidade de CO2 na atmosfera aumentou mais de 50% - e continua crescendo. Como consequência disso, o aquecimento global está fazendo o nosso planeta ficar mais quente, o que por sua vez está causando uma série de problemas e intensificando fenômenos naturais, como incêndios, secas e tempestades que estamos vendo cada vez mais pelo mundo.


Dia e mês mais quentes já registrados

Em 2023, a temperatura global média foi 1,45 ± 0,12 °C acima da média pré-industrial. Isso tornou o último ano o ano mais quente registrado, superando os recordes anteriores de 2016 e 2020.


Com isso, a média decenal de 2014-2023 ficou em 1,20±0,12°C acima da média de 1850-1900. Isso quer dizer que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa é o principal impulsionador do aquecimento global, segundo o relatório da OMM.


Recordes nos oceanos

A temperatura média da superfície do oceano também tem batido recordes desde o ano passado e a OMM prevê que esse aquecimento deve continuar - uma mudança que é irreversível em escalas de centenas a milhares de anos.


No estudo, a organização destaca que o oceano global experimentou uma cobertura média diária de ondas de calor marinhas de 32%, muito acima do recorde anterior de 23% em 2016.


Aumento no nível do mar

De acordo com a OMM, em 2023, o nível médio global do mar alcançou o seu pico histórico no registro por satélite (desde 1993), demonstrando o contínuo aquecimento dos oceanos (expansão térmica) e o degelo das geleiras e calotas de gelo.


Com isso, o ritmo de elevação do nível médio global do mar nos últimos dez anos (2014–2023) é mais do que o dobro do ritmo observado na primeira década do registro por satélite (1993–2002).


Cobertura de gelo na Antártida e no Ártico

De acordo com os dados do estudo, a extensão do gelo marinho antártico alcançou uma mínima histórica absoluta para a era dos satélites (desde 1979) em fevereiro de 2023 e permaneceu em níveis recordes para a época do ano de junho até o início de novembro do último ano.


E o máximo anual em setembro foi de 16,96 milhões de km², aproximadamente 1,5 milhão de km² abaixo da média de 1991-2020 e 1 milhão de km² abaixo do máximo anterior mais baixo.


Além disso, a extensão do gelo marinho ártico permaneceu bem abaixo do normal, com os máximos e mínimos anuais de extensão do gelo marinho sendo o quinto e sexto mais baixos registrados, respectivamente.

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