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A busca do autoconhecimento

Atualizado: 20 de jun. de 2023



O livro SIDARTA foi escrito por Hermann Hesse, um escritor e pintor alemão, naturalizado suíço. Nascido em 1877 e falecido em 1962. Prêmio Nobel de Literatura em 1946. É um dos livros mais lidos do mundo, excetuando-se a Bíblia. Sendo tema da reunião online do Clube de Leitura da Academia Venceslauense de Letras, possibilitou uma troca riquíssima de pontos de vista que se complementaram e foram convergentes sobre a importância da leitura para o aperfeiçoamento de quem lê: conhecimento, troca de saberes e crescimento interior.


O livro narra a vida de Sidarta, nascido na Índia, no século VI a.C., filho de um brâmane.  Sidarta passa a infância e a juventude isolado das misérias do mundo, gozando uma existência calma e contemplativa. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra, sedento por conhecimento e inquieto em relação ao mundo.


Conhece Buda e assimilando seus ensinamentos, sente-se pronto para seguir seu caminho em busca do autoconhecimento e da iluminação. Conhece Kamala (com quem tem um filho) e as seduções do amor, aprende a arte de enriquecer, mas sua insatisfação e inquietude o fazem retornar à vida simples em que conhecera Vesuvenda, o balseiro, que então desempenhará importante função em sua vida.


Aqui, o rio, instrumento de trabalho do balseiro, como em Guimarães Rosa (A terceira margem do rio) promove um marco divisório na vida de Sidarta: funciona como um elemento de reflexão e amadurecimento espiritual e vem a ser inspiração de uma das mais belas passagens da obra. A integração com o rio/natureza, personifica a paz interior há tanto perseguida por Sidarta, tornando-se indelevelmente marcada na mente e no coração de quem lê.


Narrado em terceira pessoa, a obra apresenta um estilo de fácil entendimento o que não desmerece a delicadeza das descrições de rara beleza e não prejudica o entendimento de conceitos básicos da religiosidade que serve de base à história, como: espiritualidade, amadurecimento, Nirvana, autoconhecimento, sabedoria, paciência, dualidade entre vida e morte, corpo e espírito, peregrinação e jejum. Estes apresentados de forma leve e fluida.


É possível, ao término da leitura, traçarmos uma trajetória da evolução espiritual de Sidarta: da infância opulenta passando por situações de privação proposital, breve passagem pelos prazeres da carne e do vil metal, atingindo por fim a epifania e autoconhecimento que o leva à paz tão desejada. Não há como não reportarmo-nos à “travessia” da vida cantada por Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”.


“Sidarta” de Hemann Hesse, é um pequeno livro de 150 páginas, leve, agradável e profundo. Narrativa simples e elegante, de grande valia para o aprimoramento do leitor: a busca do amadurecimento pessoal frente à jornada/travessia do mundo. E a clara percepção de que o que nos é mais caro e o que mais buscamos está e sempre esteve dentro de nós. Perfeito. Leitura plenamente recomendada.


“O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas, viver sábia e seriamente o presente. Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor.” (Sidarta)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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