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A Cultura pede socorro


“Um país é feito de homens e livros”. Essa frase, propalada e decantada nada mais nada menos que Monteiro Lobato, hoje se tornou um retrato na parede esquecido pelo tempo.


Não é de hoje que os investimentos em cultura em qualquer ente da União são parcos. Cultura não dá voto. Cultura é para intelectuais, diriam.


Ledo engano quem pensa dessa maneira. A cultura representa o elixir para nossa alma, inspiração para o belo e encantamento. A cultura extrai o sentimento de um povo em suas manifestações através das artes, seja qual for.


O Brasil é um país cuja identidade cultural é diversificada dada as diferenças regionais, assim também pelo fato da nossa formação estar reltratada nas três raças: brancos, índios e negros.


De norte ao sul, de leste ao oeste, o Brasil tem manifestações culturais que precisam, além da preservação, de apoio para que as futuras gerações possam conhecer nossa história e nossas raízes.


O comentário acima é para dizer o quão é incompressível o governo Federal vetar a Lei Paulo Gustavo, aprovada no Congresso para destinar recursos às atividades culturais, duramente impactadas pela pandemia de Covid-19.


As ações culturais, seja na música, teatro, dança, cinema, literatura, artes plásticas etc, empregam mais de 4 milhões de pessoas no Brasil, um contingente que hoje passa por extrema necessidade para se manter.


Não estou me referindo aos mega-shows da indústria de entretenimento, mas, sim, aos pequenos grupos de teatro, atores mambembes, cantores e instrumentistas do dia a dia, aqueles que sobrevivem da arte para se manter e que necessitam de apoio.


Aqui, em Presidente Venceslau, por exemplo, por iniciativa do SESC/Sincomércio, antes da pandemia, a cada ano, assistíamos apresentações das mais diversas através do Circuito SESC de Artes.


Esta ação permitia que a arte e cultura chegassem em praças e locais abertos para atender moradores de todos os cantos da cidade. Com a pandemia, muitos artistas que participavam da caravana do SESC foram impactados. Ainda não sabemos se o circuito terá sequência em anos vindouros.


Por isso, a Lei Paulo Gustavo, para esses artistas, representa sobrevivência e continuidade de sua arte. O veto não atinge somente eles, os artistas, mas, sobretudo, a todos nós, crianças, jovens, adultos e idosos, carentes que somos por atividades culturais.


Uma frase que ficou marcada nos anos 80, do “maluco beleza” Raul Seixas - um visionário do seu tempo e que tinha uma luz própria sobre as coisas que fazia e transmitia através de sua arte -, traduz muito bem o que estamos vivenciando hoje em dia: “falta cultura pra cuspir na estrutura”.


A cultura, tão massacrada nos dias atuais, precisa de socorro urgente. Não há razão para deixa-la escondida, engavetada nos palácios de governos ou nos paços. Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda, sim, pela sua cultura.

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