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A História de Cecília


Cecília está radiante na sala de espera de seu médico. Trajando um vestido leve e florido, cabelos bem arrumados, maquiagem delicada; a mulher sugere idade muito mais jovem do que seus 55 anos. A sala bem montada tem um toque feminino que agrada a todas as pacientes. E são muitas que ali estão esperando sua vez de passar pela consulta. Cecilia de forma intuitiva rememora o seu passado. Recorda-se da primeira vez que veio à consulta. Estava então desesperada! Havia se separado do esposo, rompido um relacionamento de 30 anos e o pior é que se achava culpada pelo acontecido.


Claudio e Cecília se conheceram na faculdade de direito ainda muito jovens. Fãs dos Beatles naqueles idos de 1966 logo se apaixonaram e, antes do final do curso, se casaram. Claudio seguiu carreira pública. Fez concurso e assumiu cargo de promotor público em Irati no Paraná. Nesta época Cecilia já estava esperando o primeiro filho do casal, Bruno, que nasceu lá na pequena cidade paranaense e fez com que sua vida mudasse. Sim, ela que pensava em seguir carreira jurídica, se transformou em excelente dona de casa. O tempo é inexorável e, com o passar dos anos, a mulher foi se transformando, perdendo o viço e o ânimo, perdendo suas razões de sonhar e viver e por isso se afastando a pouco e pouco do convívio social. Aos 45 anos a menstruação acabou após meses de uma irregularidade de fluxo que a deixava inquieta e preocupada. Junto a isto Cecília começou a sentir irritabilidade extrema, insônia, fogachos, dores musculares e, pior, uma tristeza tão grande que, muitas vezes, chorava sem saber qual a razão. A descoberta de que Claudio possuía uma amante em Ponta Grossa aonde ia semanalmente dar aulas na faculdade de direito, jogou por terra suas últimas razões de viver e, numa noite fria de julho, em um momento de angústia extrema, tentou acabar com sua vida, tentou o suicídio.


Maria Antônia, melhor amiga de Cecília, andava muito preocupada com a situação da companheira. Embora não fosse de se abrir muito a mulher lhe contara o seu sofrimento, inclusive sobre suas negativas de “fazer sexo” com o esposo em virtude de sua secura vaginal que transformava a penetração em grande martírio. Lhe falara, com lágrimas nos olhos, sobre seus calores e sua insônia, sobre suas dores articulares e sua vontade de morrer. Finalmente lhe contara que estava passando por um processo de separação consensual. Gozado, pensou Maria Antônia, passara por isso algum tempo atrás e, após uma busca incessante de médicos e remédios que a pudessem tratar, encontrou a solução com o ginecologista que, após exames, lhe receitou reposição hormonal. Falou disto com Cecilia e lhe passou o endereço de seu médico. E, então, Cecília foi ao consultório do doutor Augusto.... Contou ao médico, simpático e atraente por sinal, o que lhe afligia abrindo o seu coração e, com detalhes, citando a falta da libido, os calores e sudorese noturnos, a secura vaginal e o quadro depressivo. O profissional a ouviu com atenção e, após exame clínico e ginecológico acurados, pedidos de exames hormonais e mamografia, lhe receitou “Natifa Pro” na dose de 1 comprimido toda a noite. Embora o sorriso de Augusto fosse apaixonante Cecilia saiu da consulta desacreditada.... Afinal, será que aquele pequeno comprimido tomado apenas uma vez ao dia iria dar cabo de tanto sofrimento?

Algum tempo depois, Cecilia começou a sentir diferença: os calores sumiram, a irritabilidade acabou, a depressão desapareceu a lubrificação vaginal voltou e até a pele, seca e sem brilho, começou a mudar. Mais do que isto, voltou ao seu coração uma vontade enorme de viver e a alegria, estampada em seu rosto, demonstrava claramente isto! O tempo passou célere e o amor que havia acabado com sua separação voltou de maneira inusitada. Hoje ela se encontra na sala de espera do ginecologista Augusto e agora acaba de sair a última paciente. A porta da sala do médico se abre e Augusto vem ao seu encontro. Se abraçam e se beijam apaixonadamente e o médico lhe diz: - amor vá arrumar as malas, acabo de ganhar uma viagem em um concurso da “Libbs”. Finalmente vamos fazer nossa lua de mel”.

Observação: este texto trata dos sintomas e do sofrimento de muitas mulheres que se encontram nesta fase da vida, a pré-menopausa! Com certeza, às vezes, a solução está muito próxima delas. É só ir ao seu ginecologista de confiança.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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