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A incrível 'volta' de até 1.500km da safra de grãos pelo país

Atualizado: 6 de jul. de 2023

Sem lugar para guardar a colheita, produção atravessa três Estados em busca de armazéns disponíveis antes de seguir para o porto - Globo Rural

A produção agrícola brasileira nunca foi tão grande. Na safra 2022/23, o país deverá colher 315,8 milhões de toneladas de grãos, um volume 15,8% maior do que o da temporada anterior, segundo a estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O feito, histórico, deixa ainda mais em evidência o outro lado dessa pujança: o Brasil não tem onde guardar o que colhe - e, na falta de teto, o grão vai para a estrada.

O Centro-Oeste, líder no cultivo de grãos, é a região que mais sofre com a escassez de espaço para armazenar a produção. O déficit nacional de armazenagem é de 124,4 milhões de toneladas, segundo estudo da consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio. Desse total, o Centro-Oeste responde por 82 milhões de toneladas. Como a falta de estruturas de armazenagem tem se acentuado a cada safra, já há relatos de uma situação incomum: produtores do Centro-oeste despachando ainda mais cargas de grãos para o Rio Grande do Sul, Estado que sofreu perdas com a falta de chuvas nas últimas três safras, o que deixou ociosa parte de sua rede de armazéns agrícolas. Em alguns casos, as cargas percorrem mais de 1,5 mil quilômetros de estradas até seu novo destino. “De janeiro a maio, transportamos para Rio Grande um volume de soja 30% maior do que o do mesmo período do ano passado. E a tendência é que isso aumente ainda mais”, afirma José Guilherme Donatti Piekarski, gerente comercial da Lontano Transportes, em Campo Grande. "Por falta de capacidade nos portos mais próximos, temos que redistribuir a logística”. De MS para RS Boa parte da soja que Mato Grosso do Sul exporta passa pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP). Mas, neste ano, o volume que seguiu para o terminal de Rio Grande (RS) já cresceu 53,7%, para 290,9 mil toneladas, segundo dados do governo federal compilados pela Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul). Na comparação entre maio de 2022 e maio deste ano, o volume mais do que dobrou, passando de 80,6 mil para 167,6 mil toneladas. Paranaguá e Santos não perderam a hegemonia como principais pontos de embarque da soja de Mato Grosso do Sul, mas a participação do porto de Rio Grande, que era de 6% no ano passado, chegou a 8% em 2023. Outros fatores A oferta de armazéns é um fator entre uma série que os agentes desse mercado consideram para definir para onde enviar os grãos, explica Tamíria Azoia, consultora técnica do Sistema Famasul. “Cada operador, cerealista ou embarcador pode decidir em função de logística, capacidade de estocagem e de movimentação do porto, diferença de valor de prêmio ou acordos comerciais”, diz. A ociosidade pode não ser o único elemento na equação, mas, nos últimos três anos, período em que a estiagem causou grandes quebras de safra no Rio Grande do Sul, ela foi possivelmente o ponto mais fora da curva. Além do porto de Rio Grande, alguns importantes polos agrícolas do interior do estado também registraram neste ano a chegada de grãos do Centro-Oeste de maneira mais frequente. Produtor rural e comerciante de grãos em Cruz Alta, Jonardo Machiavelli tem uma estrutura de silos com capacidade para 420 mil sacas de 60 quilos, onde armazena sua produção e presta serviço para terceiros. Até o fim de maio, ele tinha recebido cerca de 150 mil sacas de soja. “No ano passado eu também não estava de armazém cheio, porque foi outra safra de seca. Tivemos capacidade praticamente esgotada no ano retrasado”, conta. "Mas, do ano passado para cá, não”.

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