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A vida segue seu curso

Atualizado: 13 de set. de 2023


Reli há alguns dias uma crônica de um querido amigo que se referia à temporada de flores dos ipês. O autor se referia a vários ipês que temos nas ruas de Presidente Venceslau e aos ipês das ruas de Curitiba que fazem daquela cidade um espetáculo digno de ser visto e apreciado por todos. Cenário de sua juventude acadêmica.


Não há quem não se sinta feliz ao se iniciar a temporada de florada dos ipês. Brancos, amarelos e roxos seguem enfeitando nossas ruas e lembrando-nos que a primavera vai chegar. Ipês floridos me lembram uma pessoa muito amada que, infelizmente já se foi e que era apaixonada por eles. Fotografava-os sempre que os via, todos os anos, e comparava-os de um ano para o outro. Uma pessoa sensível e amorosa que apreciava a natureza, com destaque para os ipês.


Na última semana, saindo para Presidente Prudente fui agraciada, logo após o trevo da cidade com alguns pés de ipê floridos, todos amarelos. Logo após o primeiro viaduto, um majestoso espécime, quase no acostamento, nos desejava “boa viagem”, exibindo suas flores maravilhosas.


Essas primeiras imagens direcionaram meu olhar para os campos que ladeiam a Rodovia Raposo Tavares, alguns já preparados para o novo plantio, outros ainda não. Mas, em vários pontos, aliás, muitos pontos, como uma semeadura aleatória, irregular, havia inúmeros pés de ipê floridos, predominantemente amarelos. Ora um, ora vários, alguns já adultos outros ainda bebês, mas em comum, as flores amarelas que parecem reverberar à luz do sol.


Observando a “semeadura” dos pés de ipê, às vezes um grupo, às vezes um solitário, e a simultaneidade de sua florescência, vieram-me à mente as questões da natureza e da vida que inexoravelmente, seguem seu curso natural, seus estágios de desenvolvimento, não importando o que esteja acontecendo na materialidade humanoide em que vivemos.


QUEM os semeou, aleatoriamente, quem acolheu suas sementes neste ou naquele sítio, quem determinou sua germinação agora ou antes, quem os nutriu para que florescessem na época certa, com a beleza conhecida e invejada, não se importa com as demandas do ser humano, não se detém diante das injustiças praticadas pelos mesmos homens que admiram essa manifestação singular da natureza.

Passam ao largo das manifestações da natureza e do ritmo impecável da vida, as questões políticas, sociais, morais e econômicas, que tanto nos angustiam, nos revoltam e nos adoecem.


Há pessoas morrendo por falta de atendimento médico, há pessoas que não têm o que comer, há pessoas disseminando o mal... os dias continuam passando, as flores continuam se abrindo, o colorido continua quebrando a monotonia deste mundo injusto.


Há pessoas felizes capazes de cantar e sorrir, há pessoas fazendo o bem e espargindo-o a todos, há pessoas que vivem para ajudar, para aconselhar, para acolher, para iluminar... as horas continuam passando e os ipês continuam florindo.

Esse ciclo, tão lindo e certo, faz-me pensar na desimportância de cada ser humano na engrenagem da macro realidade. Os destaques que temos em nosso mundinho pessoal se dissolvem, se diluem, se esvanecem, se desfazem frente à austeridade, intransigência e inflexibilidade dos movimentos naturais do cosmo, cuja ordem e harmonia se opõem ao caos que, normalmente, caracteriza as relações humanas e/ou sociais. E a vida segue seu curso independente das nossas lágrimas ou do nosso riso!


O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente. (Carl Sagan - cientista planetário)


(*) Aldora Maia Veríssimo - Presidente da AVL

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