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A violência e a mulher


Há algum tempo atrás escrevi sobre a violência que se comete contra as mulheres em todo o mundo. Na época estava lendo “O livreiro de Cabul” e fiquei indignado com o que acontecia com as mulheres no Afeganistão. Também procurei mostrar que, sob outra ótica, aqui no Brasil e até em Presidente Venceslau, nossa terra, a violência era concreta, palpável, presente. Agora, novamente, o tema de maneira recorrente volta à mídia e nos chama a atenção. A revista “Veja” de alguns anos atrás traz como reportagem de capa a epopeia de uma menina de apenas 16 anos, uma adolescente, agredida de forma brutal em um ônibus escolar por fanáticos do Islã lá numa remota região do Paquistão. O absurdo do ato se acentua quando sabemos que isto ocorre graças a uma interpretação odiosa e canhestra do livro sagrado dos mulçumanos, o “Alcorão”. Destinadas ao analfabetismo, a se casarem antes dos 18 anos, a viverem escondidas dentro de suas casas, a usarem a famigerada burca, a serem espancadas pelos próprios homens da família, as meninas paquistanesas são o retrato clássico da barbárie que habita o coração do homem.Malala - foto, a menina da reportagem, levou três tiros na cabeça apenas porque queria estudar, aprender e se formar em medicina para mitigar a dor dos menos favorecidos. Queria apenas viver... Alguém poderá dizer que por não entendermos o modo de vida milenar dos orientais não conseguimos assimilar esta postura radical dos fundamentalistas islâmicos; quero dizer que jamais, em tempo algum, um verdadeiro cristão pode aceitar este tipo de violência.


Vamos, no entanto, guardadas as devidas proporções, verificar que aqui em nosso país, em nossa cidade mesmo, a violência contra a mulher é algo muito comum. Começa dentro de casa quando muitas são agredidas pelo próprio marido e uma grande maioria delas, com vergonha ou com medo, esconde esta realidade sórdida, passa pelo trabalho quando muitas mulheres que exercem atividades iguais a de seus parceiros homens recebem menos, e gestantes são obrigadas a atividades estafantes e perigosas para não perderem seus empregos e aporta até no sexo quando muitas mulheres são assediadas pelos chefes ou patrões e se calam mais uma vez com medo da perda do serviço ou da má interpretação por parte de outras pessoas. Vejo nos jornais noticias de meninas adolescentes sendo exploradas na prostituição na periferia das grandes cidades e nos grotões de nosso Brasil. Não pode haver violência maior do que a perpetrada por um pai que vende a própria filha por trinta moedas. E tudo isto existe e está diante de nossos olhos...


Malala agora está muito bem. Reside na Inglaterra e recebeu o Nobel da Paz em 2014 em reconhecimento à sua coragem e ousadia. Mas lá no seu Paquistão as mulheres continuarão a ter uma vida de segunda classe sofrendo toda sorte de violência. Aqui, como lá, embora os esforços de tantas pessoas, de ONGS, da criação das Delegacias “da Mulher”, continuamos a assistir a violência atingindo as mulheres de todas as classe sociais. A lei “Maria da Penha” ainda não conseguiu, por si só, ceifar da vida comunitária este flagelo. Talvez a única forma de resolvermos isto seja aprimorar os rigores da lei e voltar nossos olhos para as gerações vindouras estruturando uma educação que estimule o respeito e o amor ao próximo, que estabeleça que homens e mulheres sejam exatamente iguais aos olhos do Criador!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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