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Anne Frank


Acabo de ler o livro “Diário de Anne Frank” um exemplar extraordinário e impactante que mostra a barbárie cometida na primeira metade do século passado e que dizimou cerca de 6 milhões de judeus, torturados e mortos em campos de concentração e câmaras de gás , pela insanidade de um ditador que queria purificar a raça germânica com ideias ante semíticas , nacionalistas e racistas que foram adotadas e seguidas pelos nazistas. Na verdade já havia lido este texto quando era mais jovem e, talvez pela imaturidade natural da idade, não tinha dado a ele a importância e a profundidade que senti agora na segunda leitura.


Assim, o diário de uma menina judia escondida durante a segunda guerra mundial tornou-se um símbolo totêmico do Holocausto, um monumento aos milhares de judeus mortos e um talismã para as vítimas de perseguição em todo o mundo. Mais do que isto: esta adolescente cuja recusa a ser destruída pelo medo ou pelo desespero diante da mais terrível perseguição é símbolo e um triunfo da humanidade diante da ignomínia do ser humano. Anotando e observando tudo sobre os terríveis acontecimentos do tempo sombrio em que viveu e da luta de sua família pela sobrevivência o seu diário não foi o único a vir à tona, mas foi o melhor e mais bem escrito se transformando num clássico imortal.


Na manhã de 6 de Julho de 1942, aos 13 anos de idade, Anne, seus pais Otto e Edith e sua irmã mais velha Margot deixaram sua casa em Amsterdã , vestindo muitas camadas de roupas e sem levar malas para não levantarem suspeitas, e caminharam a pé até o escritório do pai no centro da cidade onde em um espaço camuflado atrás de uma estante se esconderam com outra família e com um dentista amigo por 2 anos fugindo dos nazistas. A ocupação alemã dos países baixos já durava alguns anos, os judeus eram obrigados a usar uma estrela amarela costurada visivelmente em suas roupas, obedeciam ao toque de recolher, não podiam andar de bonde ou de bicicleta ou tirar fotos, mas foi uma carta recebida por Margot aos 16 anos para que comparecesse ao transporte que a levaria a um campo de trabalho que determinou a ida da família para o esconderijo. Ali durante os 2 anos seguintes, mantendo absoluto silêncio durante o dia e confiando plenamente em 4 fiéis funcionários de Otto que os abasteciam sigilosamente a família sobreviveu às atrocidades e foi ali que Anne, adolescente espirituosa, engraçada, ágil, ás vezes caustica, inteligente, honesta e, por que não dizer, sábia, escreveu sua obra. No final de Julho de 1944 o esconderijo foi invadido pela gestapo, sendo desconhecida a identidade de quem os denunciou e a família foi para o campo de concentração em Auschwitz. Em Outubro as irmãs foram transferidas para Bergen-Belsen onde em Março de 1945 , apenas algumas semanas antes dos britânicos libertarem o campo de concentração, faleceram com tifo poucos dias de diferença uma da outra. Uma de suas frases ficou gravada na memória de todos que amam a liberdade, que abominam as ditaduras sejam quais forem, que consideram todos iguais perante Deus, que, acima de tudo, amam seus semelhantes, como lição a ser vivida e renovada todos os dias: “Eu ouço cada vez mais próximo o trovão, que também vai nos destruir, posso sentir o sofrimento de milhões e, no entanto, se levanto os olhos aos céus, sei que tudo acabará bem, que toda a crueldade desaparecerá e que toda a paz e tranquilidade voltarão por que creio no ser humano”.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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