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Arte Moderna

Atualizado: 20 de jun. de 2023



Temos ouvido em alguns canais de TV e visto em alguns sites das redes sociais, referências ao centenário da Semana de Arte Moderna no Brasil. Independentemente do conhecimento que se tenha sobre o assunto, acredito que é válido abordar o assunto, desvinculado de caráter pedagógico, apenas para reavivar esse momento ímpar da arte brasileira.


A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal  da  cidade. O  governador  do  estado  de São Paulo da época, Washington Luís, apoiou o movimento, patrocinando artistas que participariam do evento. Em cada dia da semana foi  trabalhado  um aspecto  da cultura: pintura, escultura, literatura e música. O evento marcou o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX.


A Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira renovação na expressão artística, liberdade de criação, ruptura com o passado e a arte, então, inaugurou o modernismo brasileiro. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos na poesia declamada, nas estruturas narrativas, nos concertos musicais, nas artes plásticas que abandonam as cores suaves e os traços acadêmicos, a escultura e arquitetura que optaram pelos traços arrojados.


Aos olhos do comportado público romântico e parnasiano acostumado ao belo, ao simétrico e ao apuro estético, a Semana de Arte Moderna provocou estranhamento e aversão. O cidadão comum, a princípio espantado, acabou por aplaudir as inovações, as esquisitices e a quebra de paradigmas. Os principais nomes do evento foram os escritores Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade, os artistas Anita Malfatti e Di Cavalcanti e os músicos Villa-Lobos e Guiomar Novais. A ideia era provocar a imprensa, fazer muito barulho, para apresentar ideias de vanguarda, muitas advindas da Europa.


Foi a partir da Semana de Arte Moderna que, aos poucos instaurou-se a liberdade de criação/expressão surgindo novas formas de narrativas em prosa e em verso, onde o vocabulário das obras escritas se aproxima da linguagem coloquial, passa-se a valorizar o cotidiano, a crítica à burguesia, uso de temas nacionalistas e valorização da identidade e da cultura brasileiras, ruptura com o academicismo e tradicionalismo. A métrica e a rima em poesias perdem importância, romances como “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade, chocam os leitores pela inovação temática e estrutural, também nas questões de tempo e espaço, e Tarsila do Amaral espanta pelas formas e cores inusitadas em seu quadros como “Abaporu” (aquele que come).


A simplicidade do vocabulário (o português do Brasil), a estilização e a rebeldia das cores, a crítica social (Ode ao burguês), a valorização da rotina e dos personagens comuns repercutiram por algum tempo, reverberando, inclusive no movimento tropicalista.


Enquanto cultura em formação, o Brasil, naturalmente seguia os cânones das artes tradicionais do velho mundo e a ruptura forte provocada pela Semana de Arte Moderna possibilitou a identidade da arte brasileira.


Alterando-se os fundamentos, aproximando-se da realidade e do despojamento, tornando-se mais democrática, abriram-se possibilidades para novos artistas e novas tendências, como vemos nas últimas décadas: uma diversificação de estilos e temas, uma aceitação da livre criação, a influência e a intertextualidade, a ousadia e o desregramento, acolhendo-se todas a correntes e todas as manifestações artísticas. Afinal, a arte é para poucos ou para todos?


Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver. (Bertolt Brecht)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AV

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