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As ruas da cidade


O poeta diz que a cidade é um ser vivo, pois respira com seus cidadãos, cresce e se modifica diariamente. De fato isto realmente ocorre. Principalmente aqui na minha cidade sinto claramente que ela pulsa, vive intensamente!


Lembro-me de quando aqui cheguei aos 10 anos de idade. A cidade era pequena, mas pujante. Estava se desenvolvendo rapidamente. O comercio na época agregava pessoas de toda a nossa região e tínhamos na cidade as lojas “Pernambucanas, Riachuelo, Brasimac” e outras grandes lojas nacionais. As ruas tinham muito menos trânsito, mas muitas pessoas transitavam por elas; a noitinha as famílias punham cadeiras em frente de casa e se sentavam para conversar até mais tarde enquanto a molecada brincava correndo pelas calçadas. O trem passava todos os dias e corríamos até a estação para ver quem chegava ou partia e ali, além da linha férrea, havia uma grande área com madeiras por onde passávamos todos os dias para ir à escola que funcionava onde hoje se localiza a “Escoteco”. As ruas eram o prolongamento dos quintais de nossas casas e participava de nossos folguedos. Um pouco mais distante do centro nossas vias públicas eram de terra e quando chovia ficavam quase intransitáveis. Não tínhamos muitos bairros e os mais distantes ficavam a poucas quadras do centro.


O tempo passou célere e, agora, sessenta anos depois, ao caminhar pelas nossas ruas sinto enorme diferença. A cidade cresceu muito e sua área urbana chega hoje além da rodovia Raposo Tavares e o movimento de veículos nas ruas principais é muito mais intenso. Não temos mais o costume de sentar nas calçadas e os vizinhos pouco se comunicam. Cada um vive para si e nossa diversão não é mais o bate papo gostoso de antes, mas as novelas da televisão ou as redes sociais da internet. Nossas crianças não conhecem os brinquedos de rua como o “salve um dois três, o esconde esconde, pular amarelinha, jogar pião ou empinar pipa”; estão brincando agora com brinquedos no celular e aparelhos eletrônicos fechados em seus quartos e dentro de si próprios. Se isto é bom ou ruim o passar do tempo dirá, mas o que vejo hoje de maneira muito concreta é a depressão acometendo nossos adolescentes e nunca em nossa vida vimos tanto egocentrismo e tantas notícias de suicídios como vemos agora.


Nos últimos dias caminhei pelas ruas de minha cidade. Como ela cresceu! Para o norte, para o sul, leste e oeste a nossa urbe não é mais a mesma. Bairros como o “Nico Moré”, como o “Watanabe” e tantos outros demonstram o desenvolvimento que experimentamos. Surgiram condomínios fechados de grande envergadura, novos edifícios em construção e avenidas interligando bairros mostrando, de forma insofismável, que nossa pequenina “Venceslau’ do passado não é mais a mesma. O centro comercial que antes era restrito à Avenida Pedro II, à Princesa Isabel, à Tiradentes e à Newton Prado hoje se expandiu e temos outro polo comercial situado nos altos da Jorge Tibiriçá e ruas adjacentes e contamos com uma população ordeira, trabalhadora, fraterna e acolhedora que impulsiona nossa existência e destaca nossa cidade como uma das melhores da região para se viver. Em termos de qualidade de vida não tenho a menor dúvida em garantir isto.


Precisamos melhorar? Óbvio que sim. Há necessidade de ampliarmos, e muito, nossa possibilidade de empregos, precisamos melhorar nossos serviços na área da saúde, da educação e da produção de bens e serviços. Precisamos nos unir cada vez mais em torno de nossa terra.


Quando voltamos nossos olhos para o passado sentimos que nossa cidade realmente é ser vivo, teve momentos de grande desenvolvimento, momentos de retrocesso, mas nunca deixou de ser humana e fraterna. Ao caminharmos por nossas ruas sentimos claramente isto no sorriso e no cumprimento amigo de cada um de nossos concidadãos.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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