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Atuação do Rotary Club de PV foi decisiva para construção da ponte que liga SP a MS


Início da abertura da ponte que liga os estados de SP e MS, após a inauguração em 1964


O jornal Correio Paulistano, periódico que movimentou a imprensa de São Paulo no final do século 19 até 1963 - quando foi fechado, publicou vários artigos em favor da construção da principal ponte que liga os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, batizada à época como Maurício Joppert e, hoje, denominada Ponte Hélio Serejo.


Nas publicações que antecederam a construção da ponte, o Correio Paulistano reportou depoimentos de membros da comunidade venceslauense que envidaram esforços para que a obra fosse realizada, entre os quais, o próprio Hélio Serejo.


À época, Serejo era presidente do Rotary Club de Presidente Venceslau e, graças a atuação contumaz desse clube de serviço, a construção da ponte se concretizou anos depois.


Uma das reportagens elaboradas pelo Correio Paulistano, datada de 22 de abril de 1956, com texto de Hélio Serejo e fotos de Rafael Bloise e Agenor Noronha, trouxe na página 04, do terceiro caderno, a seguinte manchete: “Expoentes de todas as classes apoiam uma valiosa iniciativa”.


O texto se inicia reportando a exuberância do rio Paraná, sua biodiversidade, importância e localização geográfica, separado por dois estados, São Paulo e o então Mato Grosso, posteriormente dividido em dois, com a inclusão de Mato Grosso do Sul.


“Quando a vazante avança para sua máxima retração, as águas do rio se tornam calmas e serenas, e há, então, um convite perene ao extasiamento de um quadro fixo de empolgante beleza helênica”, escreveu Serejo, no primeiro parágrafo do texto.


E continuou: “tudo isso é o Paraná- o ‘rio do futuro’-Ele chama a todos para o gozo reconfortador da vida. E forçará, ainda, com o correr dos tempos, a vinda do homem de longínquas terras, para o seu grande giro turístico. E criará, seguramente, um primoroso painel para o turista insaciável, quando a ponte cortar o seu leito e se colar às barrancas”.


Um dos depoimentos reportados e publicados foi do então juiz de Direito da Comarca de Presidente Venceslau Antonio Macedo de Campos, que declarou a importância da ponte para o desenvolvimento da região, citando os benefícios que adviriam com a obra, sobretudo a união de dois estados “com reflexos profundos na própria economia nacional”.


Assim como Serejo, Campos era rotariano e se engajou para que a ponte fosse uma realidade. “A ideia da construção da ponte, que a princípio, no dizer de muitos, não passava de romântico devaneio de poetas, surgida no seio do Rotary Club de Presidente Venceslau, aos poucos se corporificou-se e mais que isso, tomou alma graças ao batalhador incansável Hélio Serejo que, como sacrifício de seus interesses particulares, tem dedicado todos os minutos do seu precioso tempo ao maior empreendimento já realizado no Oeste Paulista”, declarou o então juiz ao Correio Paulistano.


O jornal também tomou depoimento de dois bancários da época, entre os quais, Lucídio Castellani, então gerente da agência em Presidente Venceslau do Banco Brasileiro para a América do Sul (Brasul).


Lucídio, patriarca da família Castellani no município, genitor de filhos nascidos em Presidente Venceslau, a saber: Marcos, Marina, Mário (in memorian), Mauro e Marisa, abordou sobre importância da região como produtora de alimentos. À época, o Brasul atendia principalmente a classe rural e empresarial do município.


Assim se expressou Lucídio ao texto de Hélio Serejo no jornal: “A construção da ponte sobre o rio Paraná, entre Porto XV de Novembro e Tibiriça, ligando São Paulo a Mato Grosso, velha aspiração de todo o povo desta zona, virá por certo favorecer enormemente aos agricultores no transporte dos seus produtos para os grandes mercados. A ligação vem sendo feita de balsa, ficando os agricultores horas e horas esperando para a travessia, quer do Estado de São Paulo, quer do Mato Grosso”.


A luta do Rotary Club de Presidente Venceslau não foi em vão. Com 2.550 metros de comprimento por 12,30 metros de largura, a ponte foi inaugurada em 1964, sendo considerada por muitos anos orgulho da engenharia nacional.

Lucídio Castellani

Serejo, baluarte da obra e que hoje leva o nome da ponte

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