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Campo X Cidade

Atualizado: 20 de jun. de 2023



A Cidade e as Serras é um romance de Eça de Queiroz, autor do Realismo português, e pertence à última fase de produção do escritor. Foi publicada em 1901, ano seguinte à morte do autor. Tem 16 capítulos, é uma crítica à vida urbana, à tecnologia e à revolução industrial. Nessa obra, cidade versus campo é a principal temática em cena, que tem como ambiente temporal o século XIX.


O romance é narrado por José Fernandes, amigo do protagonista Jacinto. A narração tem início com a apresentação de Jacinto e sua família. Jacinto vive em Paris. Seu avô (Jacinto Galião) havia deixado Portugal para viver na França quando D. Miguel (irmão de D. Pedro I) mudou-se para a França.


O pai morrera jovem, antes de Jacinto nascer, mesmo assim, o menino foi uma criança feliz e tudo lhe corria bem. Por esse motivo, seu amigo José Fernandes o apelidara de “O Príncipe da Grã-Ventura”.


José Fernandes expulso da Universidade em Portugal, também foi para a França. Tempos depois regressa a Portugal para cuidar das terras da família, onde permanece por sete anos, retornando depois para Paris, onde encontra seu amigo rodeado de inovações tecnológicas: telégrafo, elevador, aquecedor, entre outros.


Ao longo do romance, são narrados episódios em que acontecem falhas nos equipamentos modernos de Jacinto na mansão onde vive, o n.º 202 dos Campos Elísios: falta de luz, problemas no elevador e no encanamento, entre outros.


Um dia, Jacinto recebe a notícia de que a igrejinha onde estavam os restos mortais dos seus antepassados tinha sido soterrada. Deu ordens para a reconstrução. Quando concluída resolve ir para Portugal.


Sua viagem foi preparada com três meses de antecedência. Jacinto enviou todo o mobiliário de Paris para Portugal porque queria encontrar lá o mesmo ambiente da mansão em que vivia na França. Quando chega a Tormes (Portugal), a mudança ainda não havia chegado e ele tem de passar dias dormindo em um colchão de palha e comendo modestamente.

Desconfortável, Jacinto decide que deve passar uns tempos em Lisboa, mas já gosta da paisagem e isso faz com que permaneça no campo, apesar da simplicidade.


Ao regressar para Tormes, Zé Fernandes encontra o amigo cosmopolita, bem disposto e alojado, despreocupado com os móveis, roupas e utensílios que haviam se extraviado.


Certo dia, Jacinto encontra uma criança, filho de um empregado e a acompanha até sua casa e fica impressionado com a miséria em que eles vivem. Resolve ajudar e melhorar as condições dos seus empregados com aumento de salários e construção de infraestrutura. As pessoas ficam encantadas e passam a expressar uma certa gratidão e devoção a Jacinto. Finalmente, Jacinto conhece uma moça chamada Joaninha, prima de Zé Fernandes, com quem se casa tempos depois. Bonita, simples, saudável e com promessas de uma profícua e fecunda maternidade.


Chegando a mobília e equipamentos enviados de Paris, a maior parte foi guardada no sótão, com exceção de algumas poucas coisas, o telefone, por exemplo.


Jacinto, que em Paris, o centro do mundo naquela época, não conseguia se imaginar sem as modernices dos equipamentos, e percebendo a dependência e problemas que essa mesma modernidade potencializava, regressa às suas origens, em Portugal, o que provoca nele uma significativa transformação: passa a valorizar a natureza e abre mão das tecnologias. A simplicidade da vida no campo o leva a expressar seus melhores sentimentos em relação aos menos favorecidos, tornando-o um ser humano melhor.


O detalhismo próprio do Realismo do momento, o linguajar e as expressões do português falado em Portugal, dão à obra um sabor e uma leveza que motivam o leitor a devorar as quase 300 páginas da obra. É um clássico da Literatura Portuguesa, merece ser lido e apreciado.


Essa foi a obra discutida pelo Clube de Leitura da AVL, em 19 último, na mansarda do acadêmico Aldir Soriano. “Os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade.” (Eça de Queiroz)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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