top of page
Buscar

Casar é bom?

Atualizado: 20 de jun. de 2023



Há poucos dias, enquanto desempenhava minhas atividades “do lar”, vi na TV uma reportagem sobre o aquecimento das atividades de prestação de serviços especializados em organizar festas de casamentos, buffets e decorações. Conforme a reportagem, os casamentos desmarcados durante os momentos mais difíceis da pandemia, ocasionaram, agora, um acúmulo de solicitações causando uma sobrecarga e falta de datas, sendo necessário, a alguns casais, adiar mais uma vez a realização do sonho dos apaixonados.


Sou resultado de uma educação conservadora, adepta de casamentos duradouros; tão duradouros que permitam aos cônjuges aprenderem a conviver e serem felizes apesar das diferenças individuais, desde que pautados em amor e respeito.


Fiquei pensando na ansiedade das mocinhas que já adiaram o casamento por causa da pandemia, agora serem obrigadas a adiar, novamente, porque não há data disponível. Haja amor e paciência!


Lembrei-me, então, de um casamento a que assisti em Portugal, mais especificamente em Coimbra, logicamente sem ter sido convidada, porque não conhecia ninguém, é obvio!


Estávamos eu e meu marido visitando a Universidade de Coimbra e sua maravilhosa biblioteca. Ao estilo português, tudo muito controlado: número de pessoas, tempo de visitação, enfim, desfrutamos do ambiente conforme nos foi permitido. Resolvemos perambular pelos espaços e fomos atraídos pelo som de um órgão e percebemos que na Igreja da Universidade iria acontecer um casamento. Infiltramo-nos no recinto, com ares de importância e simpatia. A visão de uma igreja datada do século XVI, em Portugal, que prima pela religiosidade e pelo bom gosto, é realmente impressionante; literalmente ficamos de queixo caído devido à beleza dos detalhes, e o som do magnífico órgão de tubos, estilo  medieval, parecia transportar-nos para mais perto do céu.


Ocupamos um lugar nos bancos e aguardamos. Um murmúrio normal, conversas com sotaque lusitano típico e a música enchendo o ambiente. O som das conversas foi, bruscamente, interrompido pela chegada da noiva (o noivo já entrara, não vimos como!). Uma bela portuguesinha, rosto afilado, sobrancelhas muito grossas, pouca ou nenhuma maquiagem e vestido muito bonito, embora simples; uma tiara de flores naturais dava-lhe uma aparência de pureza e jovialidade. Mas, o mais interessante, era que a feliz noivinha entrava pelo corredor, sendo conduzida pelo pai e pela mãe. Ela sorria feliz, a mãe e o pai tinham os olhos marejados de lágrimas, que devido ao percurso, caíram, copiosas, pelo rosto amoroso dos genitores. E a música permeando os espaços e arrepiando a pele, numa demonstração de emoção coletiva.


Na época, meus filhos eram ainda muito jovens e solteiros; creia pensei, firmemente, em implantar esse costume aqui no Brasil, mais especificamente, em Presidente Venceslau, e eu e meu marido seríamos os introdutores desse modismo. Claro, isso não aconteceu! Mas, ainda bem que tenho um casal de filhos. Nos respectivos casamentos, papai entrou com a filhinha e a mamãe entrou com o filhote! Mas, sinceramente, acredito que seria muito significativo e emocionante se cada um dos futuros cônjuges entrasse na igreja com os pais, na verdade com o papai e a mamãe.


Provavelmente, pela minha origem de pais portugueses, tenho muito apreço pelos costumes da educação em Portugal, muitos dos quais se perderam pela vida de meus pais no Brasil.


“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”  (Carlos Drummond de Andrade)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

Comments


bottom of page