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Casos de escola (mais um!)

Atualizado: 20 de jun. de 2023



É comum, no facebook, aparecerem fotos antigas de brinquedos ou utensílios que fizeram parte da vida dos que têm mais de quarenta anos. Lembranças nostálgicas e afetivas! Dia desses, entre essas imagens havia uma carteira escolar semelhante às da minha infância, já distante.


Feita de madeira maciça, escurecida pelo uso, dupla, ou seja, dois alunos ocupavam a mesma carteira, com pequenos sulcos para colocarmos nossos lápis e canetas e um buraco, compartilhado, onde colocávamos o tinteiro e mergulhávamos nossas canetas para escrevermos com tinta, isso quando estivéssemos no 3º ou 4º ano, do antigo primário.


Normalmente sentávamos duas meninas ou dois meninos e, raramente, para castigar algum aluno mais peralta, obrigava-se o traquina a sentar-se com uma menina. Isso era “degradante” tanto para o menino que estava sendo castigado quanto para a menina inserida à revelia nesse processo. Ambos, envergonhados, sentavam-se de maneira a não se olharem.


Em época de provas, a grande maioria não arriscava sequer uma olhadela para a prova do parceiro de carteira; se soubéssemos a matéria, ótimo, se não soubéssemos, não tínhamos coragem para burlar as regras impostas pelo professor e o respeito que aprendêramos em casa. Tirar notas altas era exigência dos pais, “colar” do colega era algo impensado pela maioria; entendíamos que a prova era para verificar o que “sabíamos” e não para testar nossa “esperteza” ou desonestidade!


Éramos ingênuos e puros, nossas maldades eram quase inofensivas; mas, não raro, qualquer atitude desagradável se transformava em uma promessa de briga após o término da aula. Quem não se lembra do sinal de que haveria “pancadaria” na saída da escola? Mão fechada, apontada para o nariz, como se fosse amassá-lo, simbolizando os prováveis socos ou murros que seriam dados na criatura merecedora!


E era um espetáculo imperdível, todos se posicionavam: uns torciam pelo desafiante e outros pela “vítima”. Formava-se um círculo em torno dos ou das “combatentes”. Sim, as meninas também brigavam na saída da escola! Às vezes os ataques eram sérios: nariz sangrando, tufos de cabelo arrancados. Se fossem meninas, então, erguer a saia era o alvo mais visado. E a torcida se exaltava: gritos, conselhos, ofensas, e assim ia até que alguém dos maiores resolvesse interferir, mas só após alguns minutos de sopapos trocados. Às vezes, algum funcionário aparecia e todos debandavam deixando o ajuste de contas para outra ocasião. Mas era muito raro que alguém da escola interferisse: do portão para fora, a escola não era responsável pelos alunos.


Na escola onde estudei os quatro primeiros anos, havia uma cerca de madeira, que não tinha mais que um metro de altura e o portão ficava sempre aberto. Não havia preocupação com entrada de estranhos ou fuga de alunos. Acredito que a humanidade era essencialmente mais dócil, gentil e os valores aprendidos em casa faziam toda a diferença.


Ter a Bandeira Nacional em sua classe por ter 100% de presença era um mérito que valorizávamos muito. Cantar o Hino Nacional e ser escolhida para segurar a Bandeira Nacional, à frente de todos, era um privilégio para poucos, só os melhores alunos eram escolhidos. Ao ouvir relatos de ocorrências em sala de aula, atualmente, me pergunto onde foi que nos perdemos? Como se permitiram tais interferências sociais e/ou morais que degradaram tanto a relação professor/aluno? O que estamos fazendo ou deixando de fazer pelas nossas crianças e adolescentes em nossas casas, nossas famílias e em nossas escolas? Como será o futuro de nossas crianças se não estamos cuidando adequadamente do momento presente?

“A Educação tem a nobre tarefa de preparar as novas gerações.” (Pitágoras)


(*) Aldora Maia Veríssimo – AVL – Cadeira nº 04

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