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Corpus Christi

Atualizado: 21 de jun. de 2023



Li que a Festa de Corpus Christi é celebrada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que se segue ao domingo de Pentecostes, e ocorre 60 dias depois da Páscoa.


É a festa do Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Uma festa católica que busca celebrar o mistério da Eucaristia. Foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de setembro de 1264.

Para comemorar o dia de Corpus Christi, tradicionalmente, as ruas são enfeitadas, ornamentadas para que por elas passe a procissão com o Santíssimo Sacramento. Cada cidade enfeita suas ruas com materiais diversificados de que dispõe: serragem, areia colorida, borra de café, cal, etc…


A procissão remete à caminhada do povo de Deus, em busca da Terra prometida, povo esse que  é alimentado pelo próprio Corpo e Sangue de Jesus Cristo, conforme preconiza a fé católica.


Várias cidades brasileiras se destacam na decoração para comemorar a Festa de Corpus Christi, entre elas: Santana do Parnaíba, São Gonçalo, Matão, Curitiba, e em nossa região há que se destacar a querida Piquerobi, que em anos anteriores atraiu milhares de pessoas seduzidas pela ornamentação e pela fé; crianças, jovens, adultos, educadores e profissionais liberais se empenham para a confecção do tapete, cuja tarefa é também uma forma de demonstrar a fé na Eucaristia.


Este é o segundo ano em que as celebrações da Sagrada Eucaristia tiveram seu brilho diminuído pelas dores das perdas impostas pela pandemia de Covid 19; não houve a tradicional procissão a que estávamos acostumados; o que paradoxalmente provocou um fervor maior no coração e nas almas sequiosas do amor de Deus.


Com o coração apertado por circunstâncias pessoais e coletivas, não pude deixar de lembrar das procissões de Corpus Christi da minha infância e adolescência.


Sendo a mais nova de sete filhos, sempre me considerei uma mera observadora da vida vivida por minhas irmãs mais velhas. Morávamos em um bairro e, logicamente, as ruas de acesso à Igreja Nossa Senhora de Fátima eram de terra. Lá íamos todas nós, com meus pais, rumo à Igreja, normalmente ainda no início da tarde. Íamos todas com “roupa de missa”, entenda-se, roupa nova ou quase nova e sapatos, normalmente nos apertando os dedos acostumados à liberdade dos pés no chão.


Todas nós éramos cuidadosas e caprichosas com o figurino especial, mas ninguém superava minha irmã número 03. Era a mais cuidadosa com suas roupas e sapatos, a ponto de levar consigo um lencinho com o qual limparia os sapatos empoeirados pela areia do caminho.


Mas nada nos empolgava mais do que cumprir um ritual empolgante: chupar picolé após a procissão, preferencialmente, de groselha. Na sorveteria do Sr Poveda, próxima à Igreja. Era uma festa. Nossa vida muito simples e regrada não nos permitia certos exageros, mais por rigidez de educação do que por dificuldade econômica. Esse costume rendeu uma piada familiar: o primeiro namorado da minha irmã número 02, que depois se tornou seu marido, dizia que se apaixonara ao vê-la chupando picolé de groselha, com os lábios coloridos pelo suco que descia pelo queixo. Esse comentário gerava simultaneamente risos nossos e muita irritação em minha irmã, que nunca foi um doce de pessoa.


Nesta quinta-feira (03/06), com as celebrações reduzidas, e a alma marcada pela dor, sobrou-me espaço para pensar nos tempos idos em que ir às procissões se nos afigurava como um evento digno de nosso maior empenho e da nossa incomensurável confiança no amor de Deus por todos nós. Éramos muito felizes, nós e nossos pais, nós e nossas ingenuidades, nós e nossas alegrias simples, nós e nossa família completa, quando ainda não tínhamos noção dos percalços e das dores que a vida nos imprimiria.


“O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo.” (Jo, 06:51)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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