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Diário de bordo – parte 3

Atualizado: 20 de jun. de 2023



Rumamos para Capitólio! Ficamos hospedados no Balneário do Lago Hotel, Estrada da Mata Velha, próximo à Rodovia MG 050, Km 294.


Como sempre costuma acontecer, o que já é uma característica de nossas excursões, nos hospedamos em um hotel primoroso, acomodações confortáveis, piscinas fria e aquecida, brinquedos aquáticos e um restaurante impecável. Após o café da manhã, saímos para conhecer a Cachoeira da Capivara e a Usina Hidrelétrica de Capivara.


Inesquecível foi, após uma caminhada forte, conhecer a Cachoeira da Pedra Ancorada – foto. Um espetáculo incrível. Uma extensão equivalente a um campo de futebol coberta de pedras quase brancas, formando diversas piscinas naturais de diferentes tamanhos e profundidades. Um caminho de pedras dava acesso a uma piscina mais profunda em meio a rochas muito altas que a contornavam. Um visual e uma paz envolventes.


Um passeio à Cachoeira da Sossegada foi seguido de uma ida aos queijos e doces São Gabriel. Antes disso, uma visão incrível do cânion de um mirante, após uma ponte pênsil, onde perdi meu chapéu, que apesar de amarrado ao queixo foi levado pelo vento. Deixei minha marca no Cânion de Capítólio! Fiquei duplamente descontente com esse fato: perdi meu chapéu e marquei negativamente minha passagem por lá. Imagine se cada visitante deixasse por lá algo de seu?


Uma sequência de passeios lindos, mas nada se compara ao passeio pelo  Cânion de Capitólio. Um passeio com adesão prévia ao qual eu, particularmente, não havia aderido, mas fui vencida pela curiosidade. Minha preocupação era o acidente ocorrido com a queda de enorme pedra do cânion que provocou inúmeras mortes.


Nosso grupo ocupou 02 barcos, tipo phanton, e rumamos pelas águas do lago da represa de Furnas. Um passeio tranquilo, entremeado pelas explicações do guia turístico e do piloto do barco. Foi-nos relatado o que aconteceu, inclusive,  as notícias tendenciosas e criminosas da mídia local o que acabou reverberando para a imprensa nacional. Deprimente e desrespeitoso! Soubemos dos cuidados que foram incorporados às navegações após o acidente: não usar som alto, controle de velocidade, controle por fiscais em relação à quantidade de barcos, e o mais importante fitas zebradas marcavam espaços que não podiam ser adentrados, alguns caminhos mais estreitados não seriam visitados, e a aproximação dos paredões  era restrita a uma distância segura. Pudemos ver exatamente o lugar de onde a pedra deslizou, pois ficou uma marca mais clara na rocha. Essa visão do lugar exato impressionou a todos.


Surpreendente ouvir as considerações do piloto e do guia turístico sobre os cuidados e o respeito que devemos ter em relação à natureza. Percebe-se pela fala dos mesmos uma profunda reverência à natureza. Com a voz embargada, o piloto afirmou: A pedra avisou que ia cair! As pessoas não deram importância!


Os espaços interditados estão passando por análise de especialistas objetivando perceber se há possibilidade de novos sinistros. O lago que nos leva ao cânion é resultado da represa que serve à Hidrelétrica de Furnas. Tem cerca de 1440 Km² de área e banha mais de 30 municípios mineiros. Sua extensão é tanta que é chamado de ‘mar de Minas’ e em vários deslocamentos que fizemos estávamos sempre às margens do extenso lago. Realmente um ‘mar de água doce’ que nos levou também até a barragem de Furnas; saber as dificuldades enfrentadas para viabilizar a construção da usina em solo tão peculiar valoriza ainda mais a capacidade humana em promover o progresso.


Vale registrar que a cidadezinha de Capitólio é muito pequena, tem menos de 9000 habitantes e não oferece estrutura para turistas, que acabam se acomodando em cidades vizinhas.


Morros, cascatas, lagos, represas e cânions formam a paisagem mineira nesse circuito pelo qual optamos nessa viagem. Riquezas do Brasil, cultura local, costumes típicos, culinária peculiar, confortáveis hotéis. Talvez falte um olhar mais responsável por parte do poder público para incentivar nosso turismo interno. Vale a pena conhecer o Brasil!


‘Que espetáculo da natureza é a cachoeira. Cai lá de cima e segue seu rumo como se a queda não fosse um problema.’ (Marianna Moreno)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL


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