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Dia das mães, de novo!

Atualizado: 20 de jun. de 2023



Mais uma vez, no último dia 08, a sociedade se mobilizou para comemorar o Dia das Mães. Comércio, televisão, escolas, famílias, todos “unidos por um propósito nobre”: reconhecer, valorizar, lembrar a importância das mães para a família e para a sociedade.


Presentes, flores, mensagens, almoçar fora e lá vão as mães exibindo um sorriso sincero (?) e de gratidão no rosto, acompanhada ou não de todos os seus rebentos, que, diga-se de passagem, já deram ao mundo mais um ou dois filhotes que darão continuidade ao clã familiar.


Li várias mensagens nas redes sociais sobre a data e algumas me chamaram a atenção pela visão realista do papel de mãe. Minha mãe dizia que “a mulher é o esteio da família” e isso só aumenta a responsabilidade das mães.


É comum falar-se em mãe solo e raramente ou nunca em pai solo. Nos registros pode não constar o nome do pai, mas o da mãe é natural e essencial. Quando um jovem se comporta minimamente mal é comum ouvirmos: Tua mãe não te deu educação? É mais recorrente atribuírem o fracasso de um jovem aos pais do que o sucesso.


Li uma postagem que diz: “Filho não vem com Manual de Instrução mas vem com mãe, que é a mesma coisa.” Não concordo. Uma mãe só nasce no momento em que nasce um filho. Vale dizer que o Manual de Instrução vem em branco e vai sendo preenchido conforme acertamos e erramos na condução da vida de nossos filhos. E esse preenchimento, normalmente, é indelével.


Mães não podem falhar, somos cobradas com veemência. Mas, conforme Fabíola Simões “Mãe falha tentando fazer o melhor”: quando nos afastamos dos filhos tentando lhes passar um exemplo de independência, quando somos mães presentes e exageramos na superproteção, quando negamos algo e geramos um sentimento de frustração inimaginável, quando nos transformamos em verdadeiros bichos em defesa de nossas crias e deixamos de lado a sensatez e a ponderação. Falhamos quando, na precariedade, nos privamos das nossas necessidades em benefício dos filhos.


Falhamos quando, na ânsia de proteger, acobertamos erros perdendo a oportunidade de vermos nossos filhotes aprenderem com a premissa “é errando que se aprende”. Quando assoberbadas por outros aspectos da vida “rodamos a baiana” e “colocamos tudo em pratos limpos” com uma intensidade que causa estranheza e dor. E, o pior, falhamos quando não vemos ou ignoramos os sinais que nossos filhos nos dão para que mudemos de atitude. Quando sonhamos sozinhas uma carreira para um filho, sem “consultá-lo” ou sem “conhecê-lo” profundamente.


Falhamos quando não usamos as palavras certas, quando não conseguimos manter a calma, quando perdemos o controle, quando não percebemos a dor ou a decepção estampada no olhar de nossos filhos ou quando percebemos e não sabemos o que fazer para minimizar o sofrimento. Falhamos quando esfalfadas pela rotina pesada, à noite só queremos deitar e dormir profundamente, enquanto nossos filhos, no quarto ao lado são consumidos por pensamentos negativos.


Mães falham, falham muito, mas certamente o fazem por falta de conhecimento, ignorância ou por estarem, muito empenhadas, tentando acertar. E nos culpamos quando na maturidade lemos teorias que desconhecíamos quando delas precisamos. Falhamos quando não educamos adequadamente!


Mas, o que a maioria das mães têm em comum, é a capacidade de recomeçar, de nunca abandonar os filhos amados, de não desistir de sua prole seja qual for a situação. Mesmo falhando, as mães insistem, perseveram, acreditam e não desamparam. Se formos a uma penitenciária, nas filas de visita, a maioria são mães provando a incondicionalidade de seu amor. Se formos às Igrejas veremos que uma miríade de mães lá estará, de joelhos, orando por seus filhos, já que têm certeza de que poderão contar com o acolhimento da mais generosa das mães: a Mãe de Jesus, que também acompanhou seu filho amado, sempre, independente das vicissitudes.


“Quando uma mãe faz uma prece pelo filho, ela rompe as portas do céu”. (Chico Xavier)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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