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Ele apostou tudo na receita de cocada de sua tia e hoje fatura milhões

Conheça a história por trás dos produtos da 'Vó Nena', agora distribuídos em 15 pontos de venda em São Paulo - Com Terra

Foto: Reprodução/Vó Nena


Sempre que alguém ia para a Bahia, Eraldo Soglia, de 41 anos, pedia para a pessoa passar na casa de sua tia Helena, conhecida como Nena, para trazer um pouco de sua famosa cocada para São Paulo, onde mora desde menino. O sabor da ‘melhor cocada do mundo’ sempre o marcou. Tanto que quando resolveu se arriscar no mundo do empreendedorismo, apostou na receita secreta da tia e, sem nenhuma economia, pegou R$ 400 mil de empréstimos em bancos para investir no negócio.


Ao ser questionado se não teve medo de dar esse passo, ele respondeu: “Eu tinha muita convicção de que ia dar certo”. Apesar dos perrengues, ele estava certo. Agora a empresa, batizada de ‘Vó Nena’, possui 15 pontos de venda, sendo uma loja de fábrica e outros 14 quiosques espalhados por quatro linhas do Metrô de São Paulo. Tudo isso em oito anos de existência.


Se ele começou com dívidas, agora tem faturamento milionário. Antes da pandemia, quando tinha apenas duas lojas fixas e três estantes sazonais no Metrô, faturava em torno de R$ 200 mil ao mês - cerca de R$ 2,5 milhões ao ano. O faturamento atual não foi divulgado: “Eu diria que nós multiplicamos aquele faturamento algumas vezes”, diz, bem humorado.


Em depoimento ao Terra, Eraldo conta sua história e revela o caminho de altos e baixos que o levou ao sucesso da ‘Vó Nena’. Confira:


Desde os 20 anos de idade eu tinha uma vontade muito grande de estar em algum projeto que alcançasse muitas pessoas. Pensava que, no dia que eu chegasse em algum local e encontrasse alguém que eu nunca vi antes e que foi atingido pelo meu projeto, eu ia sentir que fiz algo relevante. 


Eu tinha zero formação. Tive poucos trabalhos, mas trabalhos longos. Comecei sendo office boy com 14 anos e depois entrei em uma empresa, por onde segui por uns 13 anos. Depois me tornei taxista e fiquei na profissão por cerca de 5 anos.


Até que, em torno dos meus 30 anos de idade, comecei a Vó Nena. Eu apostei nisso porque queria uma empresa que fizesse as pessoas terem emoções boas, esse era o meu intuito. E a cocada da minha tia era muito boa, remetia muito à infância. Pelo intermédio do doce caseiro eu ia conseguir fazer com que as pessoas sentissem coisas boas.


Bolso vazio

Eu não tinha capital nenhum, tinha zero para começar a empresa. Mas ainda assim eu estava tão convicto que ia dar certo que eu juntei uma galera e fui até a Bahia em busca da receita da cocada da tia Nena.


O problema é que minha tia não ensinava ninguém a fazer a cocada. Ela tem mó xodó pela receita. Mas eu falei: ‘Tia, se a senhora em ensinar e eu aprender e conseguir montar o negócio, eu coloco o seu nome na empresa’. Assim ela aceitou. Mas como já tinha uma empresa registrada como Tia Nena, acabamos registrando como Vó Nena e funcionou super bem.


Então eu saí do taxi no final de 2014 e no começo de 2015 comecei o Vó Nena. Como eu tinha muita certeza de que ia dar certo resolvi pegar dinheiro emprestado. Na época o crédito era muito abundante nos bancos e eu peguei empréstimos em vários. No total foi em torno de R$ 400 mil.


Quase o fim

Desde o começo eu já imaginava que a empresa ia ser do tamanho que é hoje, mas pensava que ia atingir isso em uns dois anos. Só que não. Pensava que ia pagar todos os créditos rápido, mas foi super difícil. Passaram seis meses do começo da empresa e acabou o dinheiro. Eu não tinha o que fazer.


Eu já tinha alguns funcionários e não tinha como voltar para o táxi. Nesse momento, eu tinha a minha irmã trabalhando comigo e mais três amigos. Então não tive muita opção, reuni eles e falei que a gente tinha uns dois meses para fazer o negócio ser rentável:


‘É o seguinte, acabou o dinheiro. Não tem mais dinheiro. Não tem como eu pegar mais emprestado porque nem as primeiras parcelas dos empréstimos eu tô conseguindo pagar. Então a probabilidade de dar errado é enorme, mas se vocês ficarem comigo, eu torno vocês em sócios. Vocês precisam acreditar que vai dar certo e a gente precisa fazer acontecer’. E aí avançamos. 


Correria na capital

Desde o começo eu queria montar uma empresa de lojas para depois franquear, mas se eu começasse já com as lojas não ia dar certo, porque a marca ainda não era conhecida. Então eu decidi distribuir minha cocada para vários parceiros, para eles comercializarem para os clientes deles.


Eu ia primeiro para a empresa, no Ipiranga. De manhã pegava as cocadas que ficavam prontas no dia anterior e eu visitava o máximo de clientes que me atendesse. Padarias costumavam atender até 13 horas, então eu tinha que chegar muito cedo para conversar com o dono, que normalmente fica só na parte da manhã.


De 13 horas até umas 15 horas, eu ia a bombonieres, que é o horário que geralmente está bombando. Perguntava se eu podia distribuir minha cocada para eles provarem e deixava algumas eventualmente, para se alguém quisesse comprar. Alguns donos aceitavam e a cocada acabava sendo comercializada no balcão. Depois, na parte da tarde, eu fazia o mesmo em lanchonetes.


Era isso todo dia, das sete da manhã até umas sete da noite.


Eu me emociono porque você me fez lembrar que, quando eu terminava, geralmente comia algo na última lanchonete que visitava. Ficava ali parado e refletindo sobre como foi o dia, pensando se o que fiz foi certo.


Minha vida tava tranquila, sabe? Eu refletia muito sobre isso. Minha filha Bia tinha acabado de nascer, tinha alguns meses. E eu pensava, será que eu fiz a coisa certa? 


As coisas foram avançando, comecei a pagar os empréstimos e aí, em um ano e meio, montei minha primeira loja. Eu queria que fosse em um lugar que tivesse um grande chamariz de pessoas e tentei negociar com o Metrô.


Naquela época não negociavam pontos comerciais sem que fosse por licitação. Então tentei por meio do processo de negócios sazonais. São estandes temporários, de três meses, com produtos relacionados com a época do ano. Mas eles não tinham o sazonal de Festa Junina. Eu fiz a proposta e aceitaram.

Sempre era uma batalha muito grande conseguir ser aprovado. Fiquei uns dois anos nesse modelo. Até que administradores da Linha 4 viram nossos produtos em um desses estantes e perguntaram: ‘Não querem montar uma loja aqui?’. E assim, em 2020, começamos nossas lojas de contratos longos. Só que nesse momento chegou a pandemia.


Foi extremamente complicado, mas nós nos unimos, mais uma vez. Corri para as vendas pela internet e tivemos muito apoio dos parceiros, fornecedores. No começo eu fiquei desesperado, sem coragem de dizer para as pessoas que eu não tinha dinheiro para pagá-las. Mas eles nos deram tempo e apoio.


Agora, por dia, são mais de meio milhão de pessoas que passam em frente às nossas lojas e mais de 4 mil pessoas consumindo nossos produtos. Essa receita está mudando a vida de muita gente. Além dos 15 pontos de venda, estamos com produtos em mais de 600 parceiros.


Até a pandemia nós tínhamos duas lojas fixas e três estandes no formato sazonal. Eu devia faturar naquele período em torno de R$ 200 mil por mês - ou seja, uns R$ 2,5 milhões ao ano. O faturamento atual não vou abrir, mas eu diria que nós multiplicamos aqueles milhões algumas vezes. 


Hoje somos em 6 sócios e 60 funcionários. Produzimos mais de R$ 100 produtos diferentes. Cocada, doce de leite, ovos de Páscoa, panetone….  O gasto médio por cliente é de R$ 22. Mas tenho produtos de R$ 3,99 até mais de R$ 100.


Para abrir cada loja são necessários, em média, R$ 80 mil. Eu consegui pagar todas as dívidas iniciais, mas já estou pagando novos empréstimos que peguei para fazer a empresa crescer, o que foi necessário. A meta agora é abrir franquias.

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