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Em Pauta: Carestia, de quem é a culpa?


Com a inflação aumentando a cada dia, o poder de compra do assalariado brasileiro vai minguando. Os preços dos alimentos estão assustando o consumidor. Basta ir a qualquer supermercado para verificar que o descontrole remete aos tempos em que o Brasil acordava a cada dia com preços diferentes nas prateleiras, um período em que a hiperinflação era assunto nas capas de jornais.


As causas para esse descontrole podem ser atribuídas a dois importantes fatores. O primeiro e, talvez, o mais sintomático, é a gestão econômica que rege nesse momento o país. A pasta que comanda a economia exerce uma política que privilegia o capital financeiro, ignorando o desemprego e a baixíssima renda da população.


Sim, reconhece-se o agravante da pandemia, que obrigou o governo a distribuir recursos, via Auxílio Emergencial, para mitigar o desemprego e prover famílias de baixa renda. No entanto, mesmo com o Auxílio Emergencial, as ações do governo ficaram aquém da necessidade.


Explico. A política econômica ora praticada está engessada no teto de gastos. Os investimentos são parcos para promover renda aos que estão desempregados. A informalidade cresceu de forma assustadora. A indústria e o comércio não recebem incentivos para sua sustentabilidade.


Por outro lado, o governo está entregando, de “mão beijada”, estatais à iniciativa privada, sem qualquer garantia que o livre mercado absorva mão de obra desocupada e que os preços sejam reduzidos ao consumidor final. Vimos que a reforma trabalhista, ao invés de promover maior geração de empregos como se pronunciava à época, teve efeito contrário.


Sem emprego e renda, o crescimento do PIB acaba sendo pífio. O orçamento da União não coloca como prioridade investir nas pessoas, principalmente aquelas que estão em situação de vulnerabilidade.


Para reverter esse quadro, uma matemática simples: trabalho + renda: consumo, que gera receita para investir em Educação, Saúde e infraestrutura, com ganhos para todos.


Reduzir a desigualdade social é um desafio para qualquer governante. No entanto, o discurso deve sair da boca e ir para a prática. Beneficiar pequenos grupos em detrimento da maioria só agrava a desigualdade.


O segundo aspecto que explica, em parte, a carestia pode ser atribuído ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que repercutiu em todo o mundo. No entanto, no Brasil, poderia ter efeito menor não fosse a política de paridade para comercialização dos combustíveis.


Para privilegiar acionistas da Petrobras, desde o governo Temer exportamos óleo cru em reais e importamos petróleo refinado em dólar. O resultado dessa política são as altas constantes dos combustíveis que afetam os preços dos alimentos.


Com a inflação alcançando patamares de dois dígitos, a fome voltou a atormentar as classes menos favorecidas. Por outro lado, para suprir as necessidades básicas, muitas famílias, inclusive da classe média baixa, já estão endividadas e passando necessidades.


Em 2014, nós saímos do mapa da fome. Em 2018, rapidamente voltamos a esse mapa. A situação é drástica e bastante complexa.

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