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Em Pauta: Carestia e a fome


Além de ceifar milhares de vida, a pandemia de Covid-19 provocou aumento de preços em vários produtos da cesta básica. Os efeitos da carestia estão a olhos vistos em todos os setores da economia.


A crise afetou o mundo todo, em especial ao Brasil, um país em que o desemprego e a desigualdade social insistem em atingir milhões por aqui.


Conforme dados do grupo de pesquisa Alimento para Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares na Bioeconomia, com sede na Freie Universität Berlin, na Alemanha, 125,6 milhões de brasileiros sofreram com insegurança alimentar durante a pandemia. O número equivale a 59,3% da população do país e se baseia em pesquisa realizada entre agosto e dezembro de 2020.


Olhando dados mais antigos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é possível ver que, em 2013, o Brasil teve o melhor nível de segurança alimentar da série histórica (Pnad), com mais de 77% dos domicílios nessa condição.


Em 2014, o Brasil inclusive deixou o chamado Mapa da Fome da ONU.

Cerca de quatro anos depois, no entanto, a Pesquisa de Orçamento Familiar (2017/2018) do IBGE mostrou que a situação de segurança alimentar era vivenciada por apenas 63,3% dos domicílios pesquisados.


Nesse intervalo, houve aumento na quantidade de domicílios em todos os níveis de insegurança alimentar — leve (preocupação com quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis), moderada (restrição quantitativa de alimento) e grave (identificada como fome).


Dificil entender um país como o Brasil, considerado um dos maiores produtores de alimentos do mundo, assistir milhões sem ter o que comer para saciar a fome.


Por outro lado, o Auxílio Emergencial, ainda tão necessário, está terminando. Neste mês de outubro será paga a última parcela.


O governo já anunciou o fim do Bolsa Família para criar o Auxílio Brasil. Neste caso, está sendo anunciado aumento do pagamento, saindo de R$ 189 para R$ 300, podendo chegar até R$ 400.


Ocorre que o Auxílio Brasil não contemplará milhares de famílias incluídas no Auxílio Emergencial, atingindo apenas as de extrema pobreza. O parâmetro para inclusão deverá ser o Cadastro Único de cada município.


Para aumentar o benefício e evitar déficit nas contas públicas, o governo ainda não encontrou o caminho. O primeiro passo foi dado com o aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras), ainda ineficiente para cobrir as despesas que ocorrerão com a criação do novo programa.


Ressalta-se, porém, que desde a instituição do Plano Real, em 1994, o Brasil não experimentava dois dígitos de inflação. A previsão é que isso ocorrerá neste ano, fato que já estamos sentindo toda vez que vamos ao supermercado.


Desde o início da pandemia, o preço dos alimentos aumentou mais de 15% no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Os sintomas do descontrole econômico no país são observados diariamente, quando vemos nas redes sociais pessoas fazendo fila para comprar osso ou mesmo correndo atrás de caminhão de lixo para pegar algo para comer e saciar a fome, como ocorreu essa semana em Fortaleza (CE).


Cenas inexplicáveis em pleno século 21.


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