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Em Pauta: Desafios do mercado do boi no Brasil

Atualizado: 21 de ago. de 2023


O mercado do boi, em 2023, alimenta desafios e incertezas em razão da queda do preço da arroba, situação essa que preocupa principalmente os pecuaristas. Especialistas no assunto constatam que é um momento em que não há ganho financeiro, cujas perspectivas apontam para um cenário desanimador.


Em uma atmosfera marcada por incertezas e quedas acentuadas, o mercado do boi enfrenta desafios substanciais que têm deixado investidores e produtores preocupados. Gustavo Rezende Machado, Consultor em Gerenciamento de Risco da StoneX, compartilhou suas perspectivas sobre o atual panorama, apontando para um cenário desanimador.


Segundo ele, esse pessimismo não se restringe apenas ao mercado do boi, mas também se estende aos contratos futuros, onde investidores apostam em preços futuros de commodities, incluindo o boi.


Uma das observações preocupantes que expõe é que, paradoxalmente, a compra de contratos futuros não está trazendo o alívio esperado. Ou seja, quanto mais se compra no mercado físico, mais o mercado cai, abrindo espaço para quedas nos contratos futuros. Esse ciclo vicioso, segundo ele, contribui para a atmosfera negativa e pessimista que permeia o mercado.


Ao analisar os preços tem-se uma visão clara do impacto da pressão sobre os preços futuros do boi. Em agosto já se registra queda de 1,2%; em setembro, 1,87%; outubro, quase 2%.


Segundo os especialistas, essas variações negativas surpreendem, mesmo em um mercado já instável. O alerta é que, recentemente, as quedas ultrapassam 2% em alguns momentos, ressaltando a intensidade da turbulência.


E o fator crucial para as quedas é a oferta ser maior do que a demanda, seja no mercado interno ou externo, sobretudo para absorver o volume de animal de confinamento. Ou seja, a quantidade significativa de animais disponíveis para venda tem superado a demanda, criando um desequilíbrio que afeta diretamente os preços.


A questão é que também poucos produtores fizeram uso de estratégias de proteção, o que levou a margens negativas em grande parte do setor. Muitos confinamentos e criadores estão operando com prejuízo, e o cenário se tornou ainda mais complexo devido às quedas nas categorias de animais em todas as etapas do processo.


Em meio a essas adversidades, torna-se imprescindível a importância de avaliar as circunstâncias individuais e estar atento às ferramentas disponíveis para mitigar os riscos.


“O ano típico na Agropecuária é sempre um ano atípico. Não há moleza". A expressão bem humorada é uma citação do comandante da Scot Consultoria, Alcides Torres.


O pecuarista brasileiro precisa hoje do dobro de arrobas para comprar um bezerro, sofrendo com mais um tradicional ciclo da atividade. O preço do boi gordo está baixo, assim como o consumo da proteína no mercado interno. E o embargo da China imposto pelo caso de “Mal da Vaca Louca” já ficou para trás, mas não trouxe ainda aumento das vendas externas e prêmios mais robustos pelas melhores carcaças.


Todos são unânimes em enxergar a atualidade como um dos momentos mais desafiadores da pecuária nos últimos quinze anos. O Brasil se tornou o maior exportador de carne vermelha do planeta, mas não pode temer as grandes revoluções que tem pela frente.


O ciclo pecuário é o mesmo. Quando há abate de fêmeas, o preço da carne cai. Quando há retenção das matrizes, o preço da carne sobe. Logo, pelos prognósticos, os preços só devem reagir bem em 2024 e 2025. E, agora, é o momento de usar tecnologia. Investir.


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