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Em Pauta: Gal e Boldrin, dois ícones da nossa cultura

Atualizado: 18 de jul. de 2023


O Brasil perdeu na quarta-feira (09) dos expoentes da nossa cultura musical e artística. A cantora Gal Costa, 77 anos, e o ator, compositor, apresentador e contador de história Rolando Boldrin, 86 anos, não estão mais entre nós, no entanto deixaram um legado que perdurará para a eternidade.


Maria das Graças, ou simplesmente Gal, baiana, cantora de uma voz cristalina e única, surgiu no cenário musical na década de 60, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé. Fez parte do movimento tropicalista e deu voz para as mais belas canções de compositores brasileiros.


Tive oportunidade de assistir a um de seus shows, em São Paulo, em 1980. Gal, exuberante não só pela sua beleza, era pura emoção no cantar. Não tinha preconceito ao escolher repertório, desde o mais simples harmonicamente falando, ao mais sofisticado, com sua voz afinadíssima e límpida.


Gal, sem dúvida, ao lado de Elis Regina, na minha concepção, consagrou-se com a mais brilhante cantora do Brasil.


Tão logo veio anúncio da morte de Gal, outra notícia nos abalou: Rolando Boldrin, como ele próprio gostava de dizer nos seus programas matinais, “viajou fora do combinado”. Não perdia o ‘Sr Brasil’, seu último trabalho na televisão, programa que oportunizava aos novos compositores e cantores a mostrarem sua arte.


Nascido em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, Boldrin veio ainda jovem para São Paulo. Trabalhou como garçom até ser descoberto no seu dom artístico. Ator por excelência, fez novelas, filmes, mas se notabilizou como compositor de música raiz e, principalmente, como apresentador e contador de causos.


Nos anos 80, teve passagem brilhante pela Globo com o programa ‘Som Brasil’, onde fazia dueto com Ranchinho ao final de cada programa, contando causos e entoando músicas pitorescas sobre o caipira tupiniquim.


Depois de deixar a Globo, passou pelo SBT e Band, apresentando seu ‘Empório Brasil’, com o mesmo formato que perdurou até chegar na TV Cultura em 2005, com o “Sr. Brasil”.


Como entoava em uma de suas principais canções – “Vide vida marvada”: ‘É que a viola fala alto no meu peito humano/E toda moda é um remédio pros meus desenganos...’, Boldrin era o exemplo nato da pureza e singeleza do Brasil caboclo.


Num momento em que a mídia em geral usurpa nossos ouvidos com tantas bizarrices musicais sem qualquer conteúdo estético, ficamos mais pobres com a partida sem volta de Gal e Boldrin. Fica um vazio enorme a quem aprecia é o que bom. As canções eternizadas por Gal e os causos evocados por Boldrin ficarão no tempo, deixando a saudade bater forte em nossos corações.


Vá com Deus, Gal e Boldrin. O céu está feliz com as suas chegadas. E rezem por nós, aqui na terra.

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