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Em Pauta: Inflação de dois dígitos


A inflação voltou à cena dos lares brasileiros. Para a maioria das famílias, o compra de produtos básicos, como arroz, feijão, óleo, gás de cozinha e proteínas, principalmente carne bovina, está cada vez mais limitada para sua condição de renda, que ficou aquém dos preços das prateleiras e gôndolas dos supermercados.


A cada dia, o consumidor se surpreende ao fazer compras para seu provento e de sua família.


Além dos efeitos da pandemia que começou em 2020, o Brasil tem enfrentado uma inflação persistente desde o ano passado, num cenário que sofreu uma piora ainda mais importante com o início da guerra na Ucrânia.


A guerra da Rússia contra a Ucrânia tem feito o preço do barril do petróleo subir e ficar bastante volátil. Isso porque a Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com capacidade de produção de mais de 10 milhões de barris por dia.


O transporte de cargas no Brasil é principalmente por meio rodoviário, o que faz com que toda a cadeia produtiva seja afetada pelo aumento do combustível.


Outro fato que explica a alta dos preços está relacionado para algumas safras, plantações de produtos importantes para a exportação brasileira e também para o consumo interno do país, que foram perdidas por períodos prolongados de seca e, em outros lugares, por excesso de chuvas.


Além disso, houve a demanda por alguns itens relativos a alimentos que vêm do exterior, como, por exemplo, os agrotóxicos usados nas plantações, que tem seu preço em dólar.


Também é preciso colocar na conta a questão energética. O Brasil conta com três tipos de produção de energia principais: hidrelétrica, eólica e termelétrica. A hidrelétrica é a produção mais barata. Ela é gerada pela força da água. Quando as chuvas diminuem e os reservatórios ficam muito baixos, as turbinas têm menos força e menos energia é gerada.


Para compensar, o governo aciona usinas termelétricas - queima de carvão, que são mais caras e também dependem de derivados de petróleo. É isso que faz com que nossas contas fiquem mais caras.


A expectativa dos especialistas em economia é que a inflação continue alta nos próximos meses, ainda que não se eleve muito em relação ao que vimos no primeiro trimestre deste ano.


“A inflação está alta já há alguns meses, apesar do Banco Central fazer um significativo “aperto monetário”, com as taxas de juros subindo, ainda não vemos a inflação ceder. É muito negativo para os consumidores, tira o poder de compra e deve impactar o consumo, que provavelmente ficará mais fraco para o resto do ano”, analisa Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.


Por outro lado, a especialista cita a valorização do real frente ao dólar como um ponto positivo. “Com os juros altos, acabamos atraindo investidores estrangeiro, e muitas pessoas compram ativos commodities para se proteger contra a inflação. No entanto, o alívio na inflação deve se dar de forma lenta e sutil”, afirma Vitoria.

Há também fatores internos por conta das eleições, que podem atrair ou afugentar investidores dependendo de como o cenário político ficará nos próximos meses.


Enquanto isso, o consumidor brasileiro busca alternativas, substituindo produtos, procurando ofertas e promovendo cortes no orçamento.

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