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Em Pauta: Juros altos são justificáveis?


A questão dos juros altos no Brasil é complexa e gera opiniões divergentes. Existem argumentos tanto a favor quanto contra.


Até o governo Temer, o Banco Central, que é quem define a política monetária, tinha suas decisões vinculadas com o poder central, no caso o presidente da República e o Ministério da Fazenda. Com a independência da instituição em 2021, o governo passou a não ter qualquer ingerência sobre a política adotada em relação aos juros.


Assim, o Banco Central toma decisões conforme suas convicções sobre a política monetária, pouco se importando com questões de cunho político que refletem no contexto social.


Como explicar pelo oitavo mês seguido a manutenção da taxa básica de juros, a chamada Selic, em 13,75%, considerada uma das mais altas do mundo?


Uma das explicações é que as taxas mais elevadas de juros têm o condão de controlar a inflação, constituindo-se uma ferramenta para reduzir o consumo e limitar a demanda agregada, com a finalidade de impedir o aumento da inflação.


Outra justificativa é que os juros altos atraem os rentistas estrangeiros, que buscam maiores proventos para seus investimentos. Ao atrair o capital externo, a crença é que os rentistas venham a contribuir para fortalecer a economia e o mercado financeiro.


E que também a taxas de juros mais altas podem ajudar a proteger a moeda nacional, tornando-a mais atrativa para investidores internacionais. Isso, em tese, evitaria grandes desvalorizações cambiais e instabilidades econômicas.


Em contrapartida, os contrários consideram que as taxas elevadas dos juros provocam a restrição do crescimento econômico, dificultando o acesso ao crédito e encarecendo o financiamento para empresas e consumidores. Reforçam ainda que os juros altos desestimulam o consumo, reduzem os investimentos produtivos e limitam o crescimento econômico.


Outro aspecto negativo é que juros altos provocam um impacto social, afetando de forma negativa as famílias de baixa renda, que têm maior dificuldade em acessar crédito e que podem ficar sobrecarregadas com dívidas, um fator que contribui para o aumento das desigualdades sociais e a exclusão financeira.


Os juros altos também podem implicar em um custo maior para o governo na rolagem da dívida pública, podendo comprometer as finanças públicas e redução da capacidade de investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.


Portanto, é público e notório que a definição da taxa de juros envolve uma série de fatores econômicos, políticos e institucionais. Que depende de diversas variáveis, como o controle da inflação, a estabilidade econômica, a confiança dos investidores e as políticas adotadas pelo Banco Central. E que as decisões sobre a taxa de juros devem ser avaliadas considerando o contexto e os objetivos econômicos de quem governa o país.


Isto posto. Num momento em que o novo governo busca mecanismo para uma política fiscal eficaz sem afetar os investimentos públicos através do arcabouço fiscal, a pergunta é: a manutenção dos juros no patamar de 13,75% não tem sido um remédio amargo demais? A quem essa taxa de juros está favorecendo se não os rentistas? Como retomar os investimentos públicos e privados para gerar emprego e renda e, assim, reduzir os impactos sociais, a partir de uma taxa de juros tão elevada?


Com a palavra os que entendem do assunto.

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