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Em Pauta: Por que não se investe em Cultura?


Muitos governantes imaginam que gastar parte do orçamento em Cultura não rende votos. Veja que a maioria dos orçamentos, nas três esferas de governo, é pífia diante da necessidade e demanda.


Segundo o artigo 215 da Constituição Federal, “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. Contudo, essa não é exatamente a realidade que vivenciamos no país.


Quem faz ou promove cultura no país não recebe o devido valor. A grande maioria dos municípios sequer tem uma política específica para o setor cultural. A exceção são as grandes cidades, mesmo assim o pouco que se aplica vem de parcerias ou projetos de lei de incentivo, como a Rouanet.


Com a pandemia, o setor cultural foi um dos mais impactados. Muitos profissionais da área não puderam exercer suas atividades. O governo, após muita insistência do Congresso, aprovou a Lei Aldir Blanc para um socorro imediato. Foi uma pequena ajuda, insuficiente.


Com o retorno dos espetáculos, ainda o setor cultural se recente de um olhar mais atento pelos nossos governantes.


Em Presidente Venceslau, por exemplo, o que é reservado para a Cultura é praticamente nada. O setor cultural do município está inserido dentro da Secretaria de Educação, esta, sim, com recursos por conta do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica).


Por aqui não há incentivo aos valores culturais da terra, com a criação de espaços e eventos, a partir de um calendário definido. O que se vê são ações esporádicas e que não traduzem as necessidades.


Observa-se que nossos artistas buscam espaços em outras cidades com políticas mais definidas no setor cultural. No campo da música, por exemplo, a opção na cidade tem sido restrita aos barzinhos de finais de semana.


Eventos como a Faive ou mesmo o rodeio encerrado em outubro não podem ser considerados culturais, mesmo que aqui aportem artistas, a maioria na linha sertaneja universitária. Até porque são atrações típicas da indústria de massa, nada tendo a ver com os valores culturais da nossa terra.


A falta de política cultural no município deveria ser uma preocupação dos gestores. Não é concebível que tão importante atividade seja relegada ao esquecimento. Mapear os valores culturais da terra seria a primeira ação, seguida por um calendário que contemplasse a todos.


É sempre bom lembrar que cultura está ligada a economia. Existem estudos que mostram a importância de fatores culturais no crescimento econômico, tais como os valores que são passados de pais para filhos ao longo dos anos, pois quanto melhor a qualidade das relações existentes, dado o nível de desenvolvimento econômico, maior a satisfação das pessoas. Assim, cada vez mais a cultura vai ser central na formação da economia e desse mundo do futuro.


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