top of page
Buscar

Em Pauta: Por que o preço da carne bovina não cai, mesmo com embargo da China?


Item tradicional nas refeições dos brasileiros, a carne é um dos produtos que mais pressiona o orçamento das famílias na hora de fazer as compras nos dias de hoje. Neste ano, esse grupo, incluindo cortes bovinos e suínos, subiu em torno de 13%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país.


Para especialistas do setor, a suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a China, oficializada em setembro, não teve efeito robusto na redução de preços para o consumidor final até o momento, mesmo com a queda no preço do boi gordo. O recuo no preço em outubro foi de apenas 0,31% após 16 meses seguidos de alta, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), que mostra a prévia da inflação no país.


Eles citam a pressão da inflação, a diferença entre o consumo interno e as exportações, a diminuição em abates e a diferença entre cortes como fatores que explicam a manutenção dos preços elevados mesmo com o embargo chinês.


Ou seja, em momentos como esse, vai se produzir menos boi, vai se abater menos e o animal que seria abatido não será abatido. Em outras palavras, não vai sobrar carne para o consumidor e o preço continuará do jeito que está.


Ressalta-se que o volume produzido para exportação não é o mesmo voltado para o consumo interno no país. Os dois produtos não competem. Portanto, não é uma matemática simples, onde menos saída de um gera preço melhor no outro.

Explicando: o país exporta o que é para ser exportado, numa demanda que o brasileiro não consegue comer. Ou seja, o Brasil produz bem mais do que o brasileiro consome.


O embargo da China não significa necessariamente que tem muito mais carne no mercado interno. Com menos carne indo para China, os produtores acabam freando o ritmo dos abates de gado. Essa manobra evita um número maior de carne que não seria vendida.


Outro detalhe: existe uma diferença entre os cortes destinados para o mercado interno em relação aos enviados para exportação. O brasileiro geralmente consome mais carnes da parte traseira do gado. Por outro lado, a carne da dianteira é geralmente enviada para exportação. Isso também diminui o impacto do embargo nos preços no país.


Vamos lembrar também que não é apenas a carne que está com preço salgado. Você já deve ter notado o preço de diversos produtos dispararem nos supermercados, entre eles, o feijão e o açúcar. Sem contar a conta de luz e os gastos com combustíveis que acumulam aumentos expressivos neste ano. Essa escalada de preços ocorre diante de uma pressão inflacionária que assola o país e de uma crise hídrica que não dá trégua. Tudo isso encarece o preço dos produtos, passando pela produção e por todo caminho que os itens percorrem antes de chegar na prateleira para o consumidor.


Para os especialistas, ainda não é possível estimar quando ocorrerá a redução no preço da carne no varejo. A queda só ocorrerá em um cenário de aumento da oferta de produto. Além de estimular a produção, é preciso que aconteça a recuperação da economia e, consequentemente, da renda das famílias para criar um ambiente favorável. Se isso ocorrer, o consumidor vai ter mais dinheiro para comprar carne e outros alimentos, o que fortalece o setor.


Enquanto a carne bovina continua com o preço nas alturas, a saída é buscar outro tipo de proteína necessária ao nosso organismo. A carne branca, como frango e peixe, pode ser uma saída, além de ovos e derivados do leite.

Comments


bottom of page