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Em Pauta: Será o fim da Faive?


A principal festa do município, criada nos anos 70, na gestão Manoel Rainho, e incrementada com a doação do recinto de exposição pela família de Alfredo Ellis Neto, na administração Inocêncio Erbella, a Faive (Feira Agropecuária e Industrial de Presidente Venceslau), ao que parece, chegou ao fim depois de 43 edições efetivadas.


A última feira, em 2019, aconteceu no dia 11 de agosto do referido ano. Desde então, a população local e regional ficou a mercê de eventos do porte de uma das maiores festa no interior do Estado.


Ficam para trás as lembranças inesquecíveis de grandes apresentações artísticas, mostra de gado e de pequenos animais, leilões, exposições de maquinários, palestras com os mais eloquentes conhecedores em genética bovina e pastagem etc.


Não esqueçamos também baluartes que comandaram a feira, entre os quais, Pedro Soriano (in memorian), José Luiz Oberlaender, Ezequias Dassie, Reginaldo Pizzo e Emilson Soriano, entre outros.


Também merecem referências aos abnegados que contribuíram voluntariamente para o sucesso da feira, entre os quais, Mineo, Bicudo, Orlandinho, Nancy, Júlio Quintela, Chiquinho Azenha, Marcos Soriano, nomes estes que me vem à memória nesse momento.


Os tempos mudaram muito por aqui, desde o fim das atividades do frigorífico Kaiowa, nos anos 90; o arrefecimento da pecuária na região Oeste do Estado; os problemas oriundos das invasões de terra que afugentaram investimentos, entre outros fatores, que podem, em tese, justificar o desinteresse pelo fomento das atividades agropecuárias.


Há que se mencionar também questões políticas que envolveram o evento, gerando, muitas vezes, prejuízos ao erário público, por dívidas deixadas por determinadas comissões, estas nomeadas por gestores do município.


O fator político, sem dúvida, contribuiu para que a feira tomasse outro rumo, a partir da criação de uma entidade, denominada Associação da Faive, que permitiu ter CNPJ próprio, desvinculando-se do utilizado pela Prefeitura.


Com esse novo modelo de gestão, a feira resistiu sua sobrevivência por alguns anos, mesmo sem muita ênfase para o setor a que destinou desde sua criação, a agropecuária. Até que veio a pandemia, em 2020, que praticamente sepultou a festa.


Na nova gestão do município, optou-se em promover concorrência para utilização do recinto de exposição "Alfredo Ellis Neto". O processo foi concluído na semana passada e o vencedor do certame descartou promover a feira, colocando em seu lugar o evento denominado “Venceslau Rodeio Show”, com programação de quatro dias e atrações com rodeio, shows, parque de diversão, praça de alimentação e boate.


O novo modelo permitirá a exploração do recinto por quatro anos, como prevê o edital de concorrência. Isso significa que, tradicionalmente em agosto, mês da Faive, a população local e regional, ainda continuará usando fivela, chapéu e botas, no entanto sem o mesmo glamour que norteou por mais de 40 anos a grande festa da cidade.


Uma pena.

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