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Em Pauta: Violência e crueldade injustificadas


O congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, foi morto no último dia 24, no Rio. Ele trabalhava por diárias em um quiosque na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.

Segundo a família, Moïse foi vítima de uma sequência de agressões após ter cobrado dois dias de pagamento atrasado. Seu corpo foi achado amarrado em uma escada.

O fato causou enorme indignação em todo o mundo, pela crueldade injustificada dos agressores.

Moïse, ainda adolescente, migrou-se com a família para o Brasil em 2012, justamente para fugir da violência em seu país de origem, o Congo. E, agora, encontrou, justamente no Brasil, uma violência atroz, desmedida por ter ido cobrar diária do trabalho prestado em um quiosque, na praia da Tijuca, no Rio.

Nas imagens gravadas pela câmara do local do crime, aparecem três homens agredindo-o, usando, inclusive, um taco de madeira.

O caso só alcançou maior repercussão na mídia após a família, desesperada, buscar justiça. O crime aconteceu no dia 24 de janeiro e, apenas nesta terça-feira, 02, ou seja, oito dias depois do fato consumado, a justiça pediu a prisão temporária dos três acusados.

Ao ser ouvido pela polícia, os agressores alegam que Moïse estaria embriagado e criando problema no quiosque, argumento que é negado pela família do congolês.

Mesmo que estivesse embriagado ou causando problemas, usar um taco de madeira para desferir contra o rapaz é um ato insano, torpe, irracional, que merece uma condenação exemplar.

Se o congolês, mesmo embriagado, estivesse perturbando as pessoas, como sustentam os agressores, por que não se chamou autoridades competentes, no caso a polícia, para que ele fosse embora ou levado para sua casa?

Não, ao contrário, optou-se pela violência, esta, nos dias atuais, mais exacerbada, injustificável, num país cuja cordialidade sempre foi exaltada como identidade cultural da nossa gente.

O crime ganha mais atenção pelo fato de Moïse ser negro, de origem africana, por sua condição social e não intrínseca a ações de grupos muitas vezes racistas, homofóbicos, cuja desumanidade é peculiar.

No que estamos nos transformando? Que exemplos estamos dando para as novas gerações? O que faz um grupo de homens espancarem um negro até a morte? Qual suporte o estado irá oferecer para essa família devastada?

Quantos jovens negros são assassinados pela cor que carregam em sua pele? Quantos mais ainda serão num país onde ainda se alimenta o ódio, a incompreensão e falta de humanismo?

Que esse bárbaro crime seja punido exemplarmente e, de alguma maneira, se faça a justiça pedida pela família.

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