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Em Pauta: Violência e política no Brasil


O uso da violência não é novidade na política brasileira. A morte do guarda civil Marcelo de Arruda, assassinado pelo policial penal federal Jorge Jose da Rocha Guaranho, em Foz do Iguaçu (PR), que teria sido motivada por questões políticas, é o mais recente caso de um histórico presente no país desde o século retrasado.


Assassinatos, tiros dentro do Congresso, brigas, ofensas em redes sociais fazem parte do histórico de ações contra políticos e militantes que atuam no Brasil.


Um levantamento feito por pesquisadores da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) mostra que foram assassinados 79 candidatos que concorreram às eleições ocorridas entre 2000 e 2016.


Nos últimos anos, entre os casos mais famosos estão a execução da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), a facada no presidente Jair Bolsonaro (PL) enquanto ele era candidato nas eleições de 2018, tiro no ônibus da caravana de Lula e o assassinato de um mestre capoeira após uma discussão política.


Na semana passada, uma bomba caseira foi detonada durante um evento que teria a participação do ex-presidente Lula, na Cinelândia, no Rio de Janeiro.


Mas a história política no Brasil registra, desde o período imperial, diversos casos de violência tendo como mote questões políticas:


- Em 1826, Libero Badaró, fundador do jornal Observador Constitucional, por fazer críticas a ação de governantes, foi assassinado após sofrer atentado a bala, quando chegava em sua casa, na rua que hoje leva seu nome no centro de São Paulo. Antes de morrer teria dito: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”. O crime foi considerado político, já que o imigrante alemão Henrique Stock alegou ter atirado a mando do desembargador ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú, defensor do Império.


- Em julho de 1889, quando D. Pedro II saia do teatro Sant’Anna, no centro do Rio, e se dirigia para uma carruagem, um pequeno grupo gritou vivas à República. O carro imperial seguiu para a praça da Constituição, um indivíduo disparou na direção do monarca e fugiu para um estabelecimento próximo. Pouco depois, porém, foi preso pelo povo um homem que acreditava-se ser o autor do atentado. Não ficou comprovado se o suspeito tinha ligações políticas com grupos republicanos.


Já no período republicano, em novembro de 1895, o soldado Marcellino Bispo tentou esfaquear o presidente da República, Prudente de Morais, no pátio do Arsenal de Guerra (Rio), durante a cerimônia de recepção dos militares vindos da Guerra de Canudos. Morais foi salvo pelo ministro da Guerra, o marechal Carlos Machado Bittencourt, que se jogou na frente do presidente. O ministro foi atingido e morto por Bispo.


Em agosto de 1954, o jornalista e político Carlos Lacerda, maior opositor do presidente Getúlio Vargas e que fazia ferrenha campanha contra Getúlio no jornal Tribuna da Imprensa, de sua propriedade, foi atingido por um tiro no pé quando chegava ao número 180 da rua Tonelero, em Copacabana (Rio), onde morava. Os disparos, vindos de um carro, atingiram também o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que fazia a segurança de Lacerda com outro oficial. Vaz foi morto com dois tiros. De acordo com o inquérito policial, o mandante do crime foi Gregório Fortunato, chefe da Guarda Pessoal de Vargas. Esse episódio, entre outros, motivou o suicídio de Vargas em 1955.


No cenário atual, os casos isolados de violência, provocados por preferências políticas ou ideológicas, devem servir de alerta às instituições para que não ocorram novas vítimas e famílias enlutadas como ocorreu no Paraná.


A cultura da paz é essencial para convivência harmônica entre as pessoas.

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