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Escola e futuro


Existe algo aterrador acontecendo em nossas vidas. Vivemos momentos que não conseguimos entender e, ao que parece, momentos que alteram totalmente aquilo que, até então, consideramos o que é normal, salutar e importante para existirmos. Não, não se trata de que estamos voltando ao passado e à vida primitiva. Ao contrário e pior do que isto. Estamos caminhando céleres para uma inversão de valores, um procedimento de ódio e irresponsabilidades que por certo e rapidamente vão desestruturar nossa existência. Na infância e adolescência estudei em escola pública que era excelente; ali aprendemos não só o português e a matemática, mas também, e principalmente, aprendemos a ser cidadãos, a respeitar nossos mestres, os mais velhos e os colegas. A disciplina era fundamental! Quando o professor entrava na sala de aula todos levantávamos em respeito ao mestre e só sentávamos mediante suas ordens. Durante a aula prestávamos atenção às suas explicações e, quando ocorria qualquer problema com um aluno, as ordens emanadas do professor eram seguidas a risca. Ai de nós se nossos pais eram chamados à escola porque não tínhamos nos portado bem: além da reprimenda diante do diretor recebíamos grande castigo em casa porque o mestre e a escola estavam sempre com a razão. Antes de se iniciar a jornada de estudos, perfilados, entoávamos o Hino Nacional diante de nossa bandeira e tudo acontecia com o respeito e a civilidade que aprendíamos dentro de nossos lares. Daquele pugilo de jovens de então temos hoje professores, médicos, dentistas, advogados, policiais, trabalhadores que enaltecem nossa terra e, na sua imensa maioria, respeitam as leis, são democratas, constituíram família e são exemplos a todos. Hoje assisto na televisão professores sendo agredidos na sala de aula, alunos que durante as explicações do mestre estão usando o celular sem dar a mínima aos ensinamentos, jovens de 13, 14 anos saindo da escola sem autorização da direção, desrespeitando as mínimas questões de civilidade e, por incrível que pareça apoiados pelos pais, cometendo as mais disparatadas ações contra a escola e contra os mestres. Obvio que existem exceções mas estas acabam diluídas pela mediocridade habitual. Aumentaram entre nós o número de analfabetos funcionais, o número de gestações na adolescência, os drogados, as doenças sexuais e de uns tempo para cá, pasmem, o número de suicídios entre os jovens. A família caminha para uma desestruturação inimaginável e, de certa forma, todos somos responsáveis pela nossa omissão e por considerarmos que não é um problema nosso. É sim! E urgentemente temos que fazer alguma ação para diminuir este aluvião de más e irresponsáveis condutas que assolam nossas vidas.


Agora, uma pequena réstia de esperança havia brotado em nossos corações. A instituição das escolas cívico - militares nos trazia a esperança de uma reestruturação no ensino onde, através da disciplina, da pratica das noções fundamentais de cidadania e respeito poderíamos, pelo exemplo, conseguir consolidar um rumo melhor para nossos jovens cidadãos. Surpreendentemente o governo federal cancelou as escolas cívico - militares com argumentos, na minha avaliação, pueris. Governadores no entanto pretendem continuar com o projeto que, a meu ver, é o que de melhor aconteceu nos últimos tempos. Por certo sofrerão intensas pressões mas , acredito, se todos nós apoiarmos e estivermos conscientes de nossa imensa responsabilidade para com nossos filhos poderemos evitar que a aterradora desestruturação de nossas famílias seja evitada para o bem de todos e pelo futuro da nação.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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