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Estoicismo


O estoicismo, se você não sabe, é a filosofia da felicidade e do encontro consigo mesmo. Surgido no século 4 antes de Cristo pelas lições do filosofo grego Zenão de Citio e depois propagado já no império romano pelo escravo grego Epicteto, por Sêneca, o professor de Nero, e pelo imperador Marco Aurélio, através de seu livro “Meditações”, esta filosofia pregava que nós não conseguimos jamais mudar o que recebemos de fora, mas sim apenas aquilo que está dentro de nós. A morte, por exemplo, é ocorrência que vai acontecer com todos e não depende de nós, pois ela ocorrerá um dia, independente de nossa vontade, mas a qualidade de vida que vamos ter, esta, sim, depende totalmente de nossa disposição, de nossa vontade em realizá-la. Desta forma temos que burilar nossas vontades, domar nossa raiva, nossa ira, nosso orgulho de tal modo que possamos, no transcorrer da vida, conviver com a felicidade plena que, intimamente, todos nós almejamos. Quando chegamos ao cristianismo sentimos que as pregações de Jesus caminham nesta mesma direção e nos ensina que a humildade, a caridade e o amor ao próximo é o caminho que nos leva à felicidade e ao céu. Desta forma concluímos que para viver melhor precisamos trabalhar o que existe dentro de nós, em nossa alma, e não o que recebemos de fora, já que, quanto a isto, nada podemos fazer.


Então quatro atitudes são fundamentais. A primeira é a Sabedoria: saber que só há um caminho para nossa felicidade, qual seja, domar o animal que viceja em nosso âmago; a segunda é a justiça: reconhecer os nossos erros, equilibrá-los e não transferi-los para os outros; a terceira é a temperança: saber mediar os sentimentos, ter a paciência de esperar por sentimentos melhores e a humildade de, reconhecendo nosso erro, mudar os seus rumos em prol da conquista de uma vida mais feliz; a quarta é a coragem de levantar todos os dias para enfrentar um dia de trabalho, de vencer o medo das derrotas e das nossas quedas, a coragem de aceitar que estamos aqui apenas de passagem e, através do exemplo, deixar um legado melhor para nossas futuras gerações. Verdadeiramente muito difícil, mas, provavelmente, a única maneira de alcançarmos a verdadeira felicidade e a apraxia segundo os filósofos gregos citados. Estoico, segundo o dicionário do Aurélio, é o homem digno que aceita e vence as adversidades através da vitória sobre seus próprios caprichos.


Diz uma lenda chinesa que um velho sábio, cego e paraplégico, vivia em uma choupana e atendia aos que lhe procuravam. Um dia lhe procurou um homem muito poderoso que foi lhe fazer uma pergunta para ele fundamental: “como ele abriria as portas do inferno e as do céu?” O velho então o chamou de ridículo já que a resposta era evidente. O homem cheio de ira, de raiva e ódio se aproximou do sábio para lhe abrir a cabeça a machadadas, porém ao se aproximar percebeu que o homem era cego e se encheu de compaixão e, então, limpou o seu rosto com um pano limpo e bordado a ouro. O mestre então lhe disse: “a resposta a sua pergunta você mesmo acabou de dar: com a ira você abre as portas do inferno e a compaixão é a chave para abrir as portas do céu.


Desejo a você toda a felicidade!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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