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Farmacêutica volta a estudar aos 34, quando filho dorme, e passa em medicina

Atualizado: 20 de jul. de 2023

Bruna Mendes ganhou uma bolsa no cursinho à tarde, revisava o conteúdo das disciplinas das 22h às 3h e depois acordava às 8h - Com R7

Em 2021, quando a farmacêutica Bruna Mendes, 36 anos, questionou em um grupo do Facebook se conseguiria passar em medicina em uma universidade pública fazendo cursinho só no período da tarde, já que tinha que cuidar do filho bebê, ela recebeu aquilo de que precisava: uma chuva de comentários de incentivo.


Bruna agarrou a bolsa que havia conseguido e no fim do mesmo ano voltou às redes sociais para comemorar que havia passado na USP, na Unesp e na Unifesp.


Hoje, ela cursa o segundo ano na primeira da lista. Com isso, Bruna seguiu o caminho contrário de muitos estudantes da área da saúde, que optam por um curso menos concorrido do que medicina após anos tentando uma vaga em vão.


Ela se orgulha da carreira que teve como farmacêutica, época em que viajou o mundo e conquistou cargos em grandes empresas.


“Percebi que queria cursar medicina no segundo ano de farmácia na Unicamp. Minha mãe queria que eu fizesse medicina, mas eu estudei em escola pública a vida inteira, via o pessoal se matando, teimei e fui fazer farmácia. Mas fui bem feliz no mercado de trabalho. Viajei o mundo, conheci muitos países. Não tenho do que reclamar. Ganhava bem, tinha uma carreira sólida.”


Logo ela se casou e, em 2018, engravidou do primeiro filho, Rafael. Nessa época, morava em Jundiaí e trabalhava no Morumbi. Seria puxado aumentar a família assim. Foi aí que o marido, que também é farmacêutico e médico, sugeriu a Bruna que retomasse os estudos para concluir seu antigo sonho. “O filho dá esse motivo para redirecionar a vida”, conta. Bruna estudou até a véspera de dar à luz, mas não criava a expectativa de passar em uma universidade pública. “Como ia resgatar todo esse tempo de estudo? Competir com alunos que estudam em lugares muito bons? Pensava em fazer o Enem para de repente conseguir um Fies”, afirma ela.


Ela cuidou do filho em 2019. Em 2020, veio a pandemia. E, em 2021, foi incentivada por aquele grupo de Facebook a voltar a estudar. Fez um ano de Etapa em Valinhos, a cerca de meia hora de Jundiaí, na turma vespertina, ao lado de jovens que tinham acabado de sair do ensino médio. A rotina lhe permitia pegar os livros só quando o filho estava na creche ou dormindo. Rafa precisou de cuidados médicos durante os primeiros anos, o que fez com que Bruna ainda tivesse que frequentar consultórios e hospitais. “Estudava muito em recepção de consultório. Quando chegava da aula, ficava com meu filho e meu marido. Às 22h, quando eles iam dormir, começava a fazer os exercícios e ia até as 3h. Depois, acordava às 8h.” O resultado veio logo. No fim do ano, ela recebeu a notícia de que havia passado na Unesp, na USP, na Unifesp e em uma faculdade particular de Jundiaí.


“Muita coisa mudou. Mas me surpreendi muito positivamente com essa nova turminha que está vindo”, conta ela. Hoje, Bruna mora em Jundiaí e estuda em São Paulo, enquanto o filho fica em uma escola integral. Em breve, pretende atender no mesmo consultório em que o marido trabalha, com horários mais flexíveis.

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