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Gestação e hipertensão


Se me perguntarem qual a maior causa de mortalidade materna tenho a resposta na ponta da língua. Antes, porém, explico o que significa mortalidade materna: é o falecimento da mulher desde a concepção até 42 dias após o parto causado por problemas relacionados com a gestação; assim, se uma gestante morre por atropelamento evidentemente não se trata de mortalidade materna, mas se apresenta uma infecção pos parto que a leva ao óbito ai estamos diante da mesma. Pois é, então voltando à pergunta inicial, no Brasil a maior causa da mortalidade materna é a hipertensão, melhor dizendo, a doença hipertensiva específica da gestação (D.H.E.G.) também conhecida como pré eclampsia. Evidentemente pode ocorrer que a mulher grávida já seja hipertensa, pode acontecer que ela sobreponha à hipertensão crônica a pré eclampsia e, o que quase sempre ocorre, pode aparecer a hipertensão em quem nunca teve pressão alta e, então, temos a doença hipertensiva especifica da gravidez que ocorre sempre após a vigésima semana de gestação e é acompanhada por proteinúria ( eliminação de proteínas pela urina) , alterações hepáticas e sinais de comprometimento hematológico e cerebral podendo evoluir para quadro grave de convulsão, coma e morte o que configura a eclâmpsia que é o desfecho desta terrível patologia.


De etiologia desconhecida - acredita-se que fatores genéticos, auto-imunes e ambientais promovem alterações na placenta e nos vasos sanguíneos - a doença atinge cerca de 7% das gestantes sendo mais freqüente nas mães adolescentes e nas que vão ter o primeiro filho após os 30 anos, nas obesas, nas que já são hipertensas, nas diabéticas e nas gestações gemelares. Caracteriza-se pelo ganho súbito e exagerado de peso inicialmente (mais de cinco kgs em 30 dias), pelo inchaço das pernas e de todo o corpo, pelo aumento da pressão arterial, por dores de cabeça e dores no abdômen além de uma sensação de mal estar que acomete a mãezinha de forma ininterrupta. Se não evitada, controlada ou tratada evolui para complicações que podem ir de um crescimento uterino deficitário do bebê até um quadro grave de convulsões, coma e morte materna e fetal. Quanto mais cedo a patologia se manifesta mais grave ela é podendo causar mais transtornos.


O tratamento e a resolução definitiva da doença só ocorre com o parto e a retirada da placenta por isso o mais importante para evitar problemas e chegar com a gestação até a maturação do feto é a realização de um bom pré natal com cuidados orientados pelo obstetra que vão desde a dieta alimentar, que deve ser especial, até o uso de medicamentos específicos para diminuir a pressão, controlar a proteinúria e amadurecer o feto viabilizando a vida para o binômio mãe - bebê. No entanto parece que aí é que as coisas não vão bem. Não se compreende por que, mas, embora a saúde pública ofereça atendimento completo às gestantes, muitas mãezinhas não seguem as orientações do obstetra e acabam desenvolvendo a doença. Talvez por não acreditarem na pré eclampsia, talvez por se supor que “inchaço” é normal na gravidez, o fato é que muitas mulheres não dão atenção ao tratamento e isto é serio.


Assim, embora as estatísticas mostrem que a principal causa de morte materna é a hipertensão sabemos que conscientizando as gestantes e realizando um bom seguimento pré natal podemos reduzir significativamente este mal que dizima muitas vidas de mamães e bebês em nosso país.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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