top of page
Buscar

Hoje é dia de São João

Atualizado: 21 de jun. de 2023



Para nós, representantes da longevidade, o início do mês de junho sempre nos traz à memória as festas juninas, tão frequentadas em nossa infância e adolescência.


Havia festa junina na escola (ainda há!), havia festa junina na paróquia, havia festa junina no quarteirão. Música especial, fogueira, bandeirinhas, comidas típicas, correio elegante, muita “paquera” e muita alegria. Sem contar os fogos de artifício, que se faziam ouvir, assim que o mês de junho começava. Nas escolas, era difícil controlar que os espertinhos estourassem bombinhas no pátio, nos banheiros e até dentro da sala de aula.


Hoje, dia 24, é o dia consagrado a São João. Foi o dia de seu nascimento. João foi primo de Jesus, batizou-o no rio Jordão e foi o primeiro a reconhecê-lo como o Messias. Além do dia de São João, em junho comemora-se também o dia de Santo Antonio, no dia 13 e o dia de São Pedro no dia 29.


Pesquisas sinalizam que a origem das festas juninas é pagã; eram festas promovidas no mês de junho porque corresponde ao final da primavera e começo do verão no hemisfério norte, oportunidade em que se pedia aos deuses fartura nas colheitas.


Como o dia 24, dia do nascimento de João é o solstício de verão, as festas eram, a princípio chamadas de “joaninas” e posteriormente de “juninas”. O caráter pagão foi direcionado, pela Igreja Católica, à religiosidade, com a inserção dos outros dois santos, muito populares.


Sempre comemoramos as festas juninas em família, principalmente o dia de São João, já que meu irmão mais velho, nascido nesse dia, recebeu o nome de José. Isso mesmo, nasceu no dia de São João e em louvor ao santo do dia recebeu o nome de José!


Era uma noite aguardada ansiosamente por toda a criançada de casa, os primos e toda a vizinhança. Preparávamos a fogueira enquanto nossa mãe preparava a comidinha típica: pipoca, batata doce, milho cozido e assado, pé de moleque, quentão e a tradicional bolachinha de sal amoníaco. À noite meu pai chegava do trabalho e nos trazia bombinhas, fósforos de cor e rojões.


Muito cuidadoso, meu pai só trazia fogos fracos. Mesmo assim, a festa só começava, de verdade, nesse momento. Mas esperávamos, também ansiosamente, por nosso tio José Luís, que nos trazia mais fogos e, felizmente, muito fortes. Além dos fogos, também chegavam nossos primos preferidos e então tudo estaria perfeito “para nossa alegria”!


Lembro-me, com saudades, de uma dessas festas. Tudo corria bem e entusiasmadamente até chegar à meia noite. Minha irmã número 02 e uma prima resolveram pular a fogueira para se tornarem comadres. Posicionaram-se em lados opostos, e ao som de “Pula fogueira Iaiá, Pula fogueira Ioiô” que entoávamos animadamente, ambas pularam e chocaram-se sobre a fogueira.


Nesse momento, se desequilibram e caem sobre as achas de fogo. Aos nossos gritos ambas rolam para fora da fogueira espalhando as toras em brasa e levantando uma miríade de fagulhas, estranhamente bonita, apesar da gravidade. Correria, desespero, gritaria, mamãe corre para acudi-las imaginando as queimaduras e antevendo a choradeira. De pé, chacoalhando as saias rodadas de caipirinhas, percebemos que não haviam se queimado e nem danificado as roupas. Apenas um pequeno furo, como se feito por um cigarro, vimos na saia de nossa prima. Nenhum ferimento, joelhos no chão e agradecimentos a São João pela providencial proteção e tudo terminou em muita risada, apesar do descompasso dos corações.


Bom seria se tivéssemos mantido essas tradições e a pureza das crianças e jovens para continuarmos a nos divertir de forma tão saudável! Que venham as evoluções tecnológicas que tanto facilitam nossas vidas, mas que saibamos manter nossas tradições que nos são tão caras.


“A fogueira está queimando, toda a noite se ilumina. Alegria, minha gente, é mês de festa junina!” (Autoria anônima)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL – Cadeira nº 04

Comments


bottom of page