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Machado de Assis


Muito difícil! Este é o termo: muito difícil! Tentei por diversas vezes alinhavar algumas idéias sobre o grande gênio da literatura brasileira, Machado de Assis, mas sempre com dificuldades. Embora reconheça a sua importância no romantismo literário do país e também como precursor do realismo não consigo encontrar nenhum seguidor, nenhum discípulo de sua obra. Outros nomes se destacaram após sua época como, por exemplo, Jorge Amado, Erico Veríssimo, Guimarães Rosa, mas nenhum deles fez da sua obra uma continuidade da de Machado. No entanto não há neste país nenhum escritor que mereça tanto o titulo de imortal como ele. Neste ano, mais propriamente no dia 29 de setembro, comemora-se o aniversário de sua morte e novamente suas obras retornaram a ser avaliadas pelos críticos e pelos literatos do Brasil e do exterior. Matérias sobre o escritor mostram que através de “Memórias Póstumas de Braz Cubas” um romance inovador publicado em 1880, o mestre pode se igualar, sem favor, a expoentes do romance europeu como Tolstoi e Flaubert.

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho do operário mulato Francisco Jose de Assis e de dona Maria Leopoldina Machado de Assis. Criado no morro do Livramento perdeu a mãe muito cedo e foi atendido por sua madrinha, Maria Inês, que o matriculou na escola pública, aliás, única escola em que estudou. Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, no entanto, procurou estudar como autodidata e aprendeu inclusive o Frances graças a uma senhora francesa dona de uma padaria que o ensinou. Franzino, gago, epiléptico, inteligente e sagaz o jovem Machadinho, como era conhecido, logo já foi se arrumando em um colégio onde a madrinha era doceira e aprendeu rapidamente a arte da escrita. Aos 16 anos publica em 12 de Janeiro de 1855 seu primeiro trabalho literário, o poema “ELA” na revista “Marmota Fluminense’. Em 12 de Novembro de 1869, já famoso, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, mulher culta que lhe abriu varias portas inclusive o levando a cargo público no Ministério da Agricultura que permitiu para Machado uma vida tranqüila. O casamento durou 35 anos tendo a amada falecido em 1904.

Machado de Assis viveu numa época importante da historia do Brasil e soube retratar de maneira exemplar os episódios daqueles tempos. Em ‘Dom Casmurro’ cita a sagração do Imperador D. Pedro II ainda adolescente, em “Um capitão de Voluntários” descreve e critica a guerra do Paraguai, em “Memorial de Aires” comemora o fim da escravatura e em “Esaú e Jacó” fala sobre a proclamação da República. Fatos que enriqueceram este período da vida brasileira. Mas embora monarquista e não republicano, embora nunca tenha se exposto publicamente a favor da abolição, embora tenha sido tímido e recatado, a partir de 1880 com a publicação de “Memórias Póstumas de Braz Cubas” o escritor se transformou em um dos paradigmas da literatura brasileira e se eternizou na nossa historia. Primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de numero 23 cujo patrono era Jose de Alencar escolhido por si próprio, Joaquim Maria Machado de Assis faleceu em 29 de Setembro de 1908 com câncer na boca constando como sua última frase: “A vida é boa”.

De fato, Machado de Assis, o maior gênio da literatura nacional, é o escritor brasileiro mais estudado dentro e fora de nosso País. E ninguém pode olvidar que para a época ele foi irreverente, sarcástico e sutil. E reportemo-nos a “Dom Casmurro”: será que Capitu traiu Bentinho? ou não?

OBS : pequena biografia em homenagem ao patrono da cadeira 31 da Academia Venceslauense de Letras hoje ocupada por mim. A literatura é um mundo maravilhoso a nosso alcance. Machado merece ser lido por todos.

(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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