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Atualizado: 21 de jun. de 2023



Mais uma vez, entre as muitas notícias ruins nos jornais televisivos ou escritos, percebemos, com preocupação, que estamos com pouca água em nossos reservatórios responsáveis pela produção de energia elétrica e abastecimento.


Tem chovido pouco e em lugares errados. A chuva que deveria encher esses reservatórios ou não tem caído a contento ou cai em regiões que não favorecem os reservatórios.


Se não bastassem os desmandos políticos (que em grande parte se devem às nossas escolhas), se não bastassem os números absurdos de mortes devido à covid (que também se devem às nossas escolhas), ainda temos sobre nossas cabeças a preocupação com a não precipitação pluviométrica suficiente (que também se deve a muitas de nossas escolhas), a preocupação com o aumento da tarifa de energia elétrica (as tais bandeiras coloridas), o receio de enfrentarmos o racionamento de água e energia e todos os percalços daí advindos.


A crise hídrica é resultado dos baixos níveis de água nos reservatórios, no momento em que deveriam estar em níveis normais para atender as necessidades da população. No Brasil, a falta de água tornou-se mais grave a partir do ano de 2014.


De tempos em tempos somos colocados frente a notícias desse gênero e é natural nos perguntarmos o que provoca a crise hídrica no Brasil, já que temos uma extensa e variada malha hidrográfica e não somos um país predominantemente árido?


O crescimento populacional, industrial e da agricultura são responsáveis pelo aumento considerável do consumo de água, assim como, o desperdício  pelos respectivos consumidores. Agrava-se essa situação, pela diminuição do nível de chuvas, o que não depende exclusivamente de nós, os brasileiros; o mundo todo está envolvido em atitudes que agridem o meio ambiente e uma das consequências é a diminuição de chuvas. Para um país com extensão continental, um litoral imenso (mais de 7 mil quilômetros de extensão), com a malha hidrográfica que temos (o mais extenso rio do mundo) e com os lençóis subterrâneos que temos (aquífero da Bacia Amazônica, aquífero de Alter do Chão), é controverso termos que enfrentar racionamento de água e energia.


Dizem os especialistas que para enfrentarmos a crise de água do Brasil, necessário se faz a dessalinização da água do mar, a transposição de rios, reutilização de água e, o mais importante: a conscientização da população, no que diz respeito à economia, não poluição e não desperdício. Respeito ao meio ambiente (vegetação) e preservação de fontes e rios.


Podemos dizer que somos privilegiados: temos a maior reserva hidrológica do mundo que agregada a uma consciência ecológica poderia reverter em benefícios na produção e uso de água, tanto para consumo quanto para a produção de energia.


Caso a população não se conscientize da importância do assunto em tela, é preciso voltarmos no tempo e apelarmos para as novenas que fazíamos nas “cruzinhas” próximas à estrada de ferro. Na época da seca, visitávamos em procissão, pequenos túmulos que havia na lateral da estrada de ferro, marcados apenas por uma pequena cruz e um gradil, e rezando depositávamos garrafas de água em cada uma delas, pedindo ao nosso bondoso Pai do Céu que nos abençoasse com uma chuva mansa e abundante. Em cada cruzinha (ou túmulo) íamos depositando garrafas cheias de água, cantávamos e rezávamos, pedindo chuva. Não sei por que, mas tínhamos certeza de que nossas preces seriam atendidas.


Tempos remotos, os valores e as prioridades eram outras, mas fazíamos nossa parte: no sol escaldante, rezando e cantando pedíamos a intercessão de Deus para minimizar nossas necessidades.


Atualmente, dadas as circunstâncias, esse ritual pouco ou nada valeria. A modernidade e o progresso nos trouxeram muitos benefícios, mas também alguns retrocessos, entre eles a escassez de água tanto para consumo quanto para mover nossas usinas.


“Todo progresso é precário e a solução para um problema coloca-nos (sempre) diante de outro problema”. (Marin Luther King)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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