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Maria


Ainda ontem estive com Maria. Estava muito contente: contou-me que seu filho estava se formando em medicina lá na Faculdade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde entrou através do ENEM e sua menina havia passado na primeira fase do concurso para defensoria pública no estado da Bahia. Conheço Maria há muitos anos e sei bastante da sua história e sua vida. Quando menina trabalhou na colheita dos melões ZY e por volta das 5 horas da madrugada a encontrava no antigo PLIMEC junto com cerca de 2000 “boias frias” que iam tomar o café da manhã fornecido pela prefeitura antes da jornada de trabalho. Embora magrinha Maria se destacava como uma trabalhadora ágil, incansável e dedicada. Não teve sorte no casamento e foi abandonada pelo marido alcoólatra logo após o nascimento do menino. Não esmoreceu e nunca mais casou. Foi domestica, faxineira, lavadeira, passou fome, mas fez tudo o que podia, o possível e o impossível, para formar seus filhos que, criados com o rigor da progenitora, valorizaram sua luta, se dedicaram ao estudo e conseguiram as conquistas que hoje enchem de orgulho o coração da mãe e fazem seus olhos ficarem marejados. Maria passou fome, vestia-se com roupas usadas doadas pelas suas patroas que a adoravam mas nunca se ouviu dela uma queixa sequer... Quando da pandemia recente se dedicou, mesmo com risco, a cuidar das vizinhas e das conhecidas que tinham sido tomadas pela virose. Maria merece neste dia das mães os meus cumprimentos e minhas orações porque, verdadeira heroína, é exemplo de luta, trabalho e amor.


E são tantas as Marias como esta que acabei de citar! Estive com uma Maria de 14 anos que após uma noite inteira sofrendo em trabalho de parto recebe nos braços seu recém-nascido e o beija e acaricia com tanto amor que nos faz vibrar de alegria, a Maria já idosa que passa horas à frente do CDP para visitar, por pouco tempo, seu menino que para ela continua sendo o seu bebê apesar de tudo, a Maria, que ali no corredor frio do Pronto Socorro, com as mãos postas em oração, aguarda noticia de seu filho após acidente de moto, a Maria, enfim, que é esteio e base da família, que, com sacrifício, dedicação, coragem e, principalmente, muito amor transmite a seus filhos, que somos todos nós, as mais profundas lições que Deus nos ensinou... A Maria que aos pés da cruz limpa as chagas de seu filho unigênito que veio para nos salvar!


Não se trata apenas de homenagem. Principalmente é momento de reconhecimento e gratidão. Pois afinal quem seríamos nós se não existisse em nossas vidas uma Maria, nossa querida mãe!


Neste dia dedicado às mães volto meus olhos aos céus e numa prece muda e simples agradeço a Deus pela mamãe que tive e clamo a ela que continue zelando por mim como o fez durante toda sua vida. Obrigado minha mãe e parabéns a todas as Marias que são mães e habitam esta terra!


(*) O autor é medico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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